Spain Soccer La Liga

Ninguém saiu com a vitória. Nada que atrapalhasse o jogaço entre Atlético e Real

O que uma partida precisa para ser inesquecível? Bom futebol, muitos gols, várias chances de balançar as redes? Muita vontade dos dois times, pegada, nervos à flor da pele? Espetáculo nas arquibancadas? Quem esperava muito do clássico entre Atlético de Madrid e Real Madrid neste domingo certamente ficou satisfeito. O duelo no Vicente Calderón não valeu a comemoração plena de nenhuma das torcidas, com o empate por 2 a 2. Mas será inesquecível para quem viu, facilmente entre os melhores jogos da temporada 2013/14. E que foi cheio de emoções durante todo o tempo em que a bola rolou – e até mesmo quando ela parou, para os ânimos se acalmarem.

Bastaram dois minutos de jogo para o Real Madrid colocar as esperanças do Atleti abaixo. Gol de Benzema, em uma rara desatenção da excelente defesa rojiblanca. Era o fim do sonho em La Liga? O renascimento do pesadelo no clássico, ainda mais depois das duas derrotas na Copa do Rei? A prova definitiva do declínio da equipe de Diego Simeone? Não quando se tem gana. Os colchoneros se refizeram rapidamente e passaram a sufocar no ataque. Na primeira boa chance, Diego Costa foi derrubado por Sergio Ramos dentro da área e o árbitro não marcou nada. Mas não era aquele erro que faria o Atlético se empenhar menos.

Era um confronto, sobretudo, pegado. Não foram poucas as vezes que os jogadores se estranharam, em lances ríspidos. Enquanto isso, a fraca arbitragem pouco agia para inibir os jogadores. O Real Madrid via seu trio ofensivo muito bem anulado pela pressão defensiva do Atleti e pouco assustava Courtois. Diante da intensidade dos anfitriões, o empate parecia até mesmo natural. E veio aos 28 minutos, com Koke completando a ótima jogada de Arda Turan. Diego Costa e companhia insistiam no ataque, mas os merengues se seguravam. Só não puderam fazer quando Gabi resolveu soltar a bomba do meio da rua, anotando um golaço.

A virada saiu nos acréscimos do primeiro tempo. Motivo para que o jogo mantivesse a tônica na volta do intervalo. O Real vinha pressionado na busca pelo empate, enquanto o Atlético queria definir o resultado. O gás era parecido, as chances apareciam dos dois lados. Courtois precisou operar um milagre para salvar uma cabeçada de Bale, enquanto a trave evitou que Arda Turan marcasse o terceiro. E, à beira do campo, o assistente técnico Germán Burgos perdia a cabeça e enfiava o dedo na cara do árbitro, em mais uma reclamação de pênalti em Diego Costa.

A partir dos 25 minutos, Ancelotti resolveu se arriscar. Colocou o Real Madrid para o ataque, com Marcelo, Carvajal e Isco. Enquanto isso, o Atlético se fechava demais e tentava gastar o tempo – com cera até dos gandulas. Entretanto, os merengues encontraram uma brecha. E com Cristiano Ronaldo, que não costuma perdoar. O português decretou o empate aos 36 do segundo tempo. E os visitantes até tiveram a chance da virada, com Benzema, mas um novo erro da arbitragem impediu a torcida de saber se uma ótima oportunidade viraria gol.

O placar de 2 a 2 talvez tenha sido mesmo o mais justo, diante de tudo o que os dois times produziram. Não é tão ruim para o Real Madrid, que mantém a liderança de La Liga com pelo menos um ponto de vantagem. E também não é para o Atleti, que permanece três pontos atrás dos rivais. Pelas últimas rodadas, os merengues até indicavam uma possível arrancada rumo ao título, com a perda de fôlego dos vizinhos. Entretanto, se mantiverem a mesma  vontade de hoje nos próximos compromissos, os colchoneros garantem a briga pela taça até o último minuto.

Formações iniciais

atlreal

Destaque do jogo

Diego Costa. Em uma partida que pedia tanto brio, o sergipano chamou a responsabilidade no Atlético de Madrid. Movimentou-se demais no ataque, brigou com a defesa do Real Madrid e criou vários espaços. Parou em Diego López em suas melhores chances, mas foi essencial para a boa atuação de seu time.

Momento chave

As substituições de Carlo Ancelotti no segundo tempo. Precisando da vitória, o treinador mandou seu time para frente com dois laterais que chegam ao ataque, Marcelo e Carvajal, e um meia com alto poder de decisão, Isco. Os 20 minutos finais do jogo foram só pressão dos merengues e, em uma jogada que começou com Carvajal, nasceu o gol de empate.

Os gols

3’/1T – GOL DO REAL MADRID! Falta na lateral do campo. Di María cruza, a defesa do Atleti tenta fazer linha de impedimento, mas deixa Benzema livre. Em posição legal, o francês só tem o trabalho de empurrar para as redes.

28’/1T – GOL DO ATLÉTICO! Arda Turan faz grande jogada na entrada da área. Limpa a marcação e encontra Koke livre, no bico da grande área. O meio-campista chuta no canto, longe do alcance de Diego López.

46’/1T – GOL DO ATLÉTICO! A bola sobra na intermediária e Gabi solta um petardo. O chute não vai tão no canto, mas Diego López sequer tem tempo para reagir e chega atrasado.

36’/2T – GOL DO REAL MADRID! Mario Suárez sai jogando errado e perde a bola para Carvajal. O lateral cruza, a zaga não consegue afastar e Cristiano Ronaldo aparece para chutar no canto.

Curiosidade

O Real Madrid marcou um gol nos 15 primeiros minutos em 10 das últimas 12 visitas ao Vicente Calderón. O Atleti já estava acostumado em ficar atrás no placar, mas desta vez não concedeu a derrota, como em todos os outros nove confrontos.

Ficha técnica

Atlético de Madrid 2×2 Real Madrid

Atlético de Madrid

Atlético de Madrid

Thibaut Courtois, Juanfran, Diego Godín, Miranda e Filipe Luís; Koke, Gabi, Mario Suárez e Arda Turan (Cristian Rodríguez, 38’/2T); Raúl García; Diego Costa. Técnico: Diego Simeone.

Real Madrid_escudoReal Madrid

Diego López, Álvaro Arbeloa (Dani Carvajal, 26’/2T), Pepe, Sergio Ramos e Fábio Coentrão (Marcelo, 14/2T); Xabi Alonso, Luka Modric e Ángel Di María (Isco, 27’/2T); Gareth Bale, Karim Benzema e Cristiano Ronaldo. Técnico: Carlo Ancelotti.

Local: Estádio Vicente Calderón, em Madri (ESP)
Árbitro: Carlos Delgado (ESP)
Gols: Benzema, 3’/1T; Koke, 28′/1T; Gabi, 46′/1T; Cristiano Ronaldo, 37′/2T.
Cartões amarelos: Turan, Godín e Diego Costa (Atlético de Madrid), Pepe e Arbeloa (Real Madrid)
Cartões vermelhos: nenhum