Para que um jogador se mantenha em alto nível ao longo de diferentes momentos da carreira, é preciso se reinventar. Dificilmente ele preservará o mesmo estilo por mais de dez anos na ativa, enfrentando a elite do esporte. É uma questão de adaptação às mudanças físicas e, por vezes, até mesmo à maneira como as táticas moldam o jogo. Tão raros quanto estes são os que seguem no topo do futebol além de suas próprias trajetórias de chuteiras. Que conseguem atingir um grau de excelência em diferentes áreas. Neste sentido, Tostão é um singular. O craque foi inegavelmente um dos maiores da história, essencial na Copa de 1970 e imortalizado no Cruzeiro. Mas quando, aos 26 anos, os problemas na visão colocaram um ponto final em sua caminhada precoce e brilhante, o mineiro revelou sua genialidade em outras áreas. Primeiro, como médico e professor. Depois, como um dos melhores cronistas esportivos que o Brasil já teve.

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Em campo, Tostão excedia todas as expectativas. O garoto ia muito além do que seu semblante franzino poderia sugerir. Era um jogador de qualidade técnica refinada, expressa nos dribles ou nos gols. Mas que também se ressaltava pela inteligência acima da média, de raciocínio e ações rápidas, aliada à visão para ocupar os espaços. Parecia se multiplicar para estar no melhor posicionamento e também abrir brechas aos companheiros. Uma interpretação do jogo restrita a privilegiados. Nesta quinta, em que o mineiro completa 71 anos, vale relembrar um pouco deste talento – desta vez, apenas o dentro de campo.