Se no futebol masculino quem domina a França é o Paris Saint-Germain, no feminino quem reina é o Lyon. E com sobras. Entre liga e copa, elas venceram 13 títulos nacionais em sequência. O último troféu francês que não ficou com o clube foi a copa de 2010/11, com queda nas quartas de final – e apenas nos pênaltis. Até a última quinta-feira, quando o PSG venceu a decisão da Copa da França por 1 a 0, em Estrasburgo, e encerrou a série do Lyon.  

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Alguns números desta sequência do Lyon são assustadores. No Campeonato Francês, são 12 títulos seguidos, oito deles de maneira invicta. Duas vezes com 22 vitórias em 22 rodadas e em uma ocasião com saldo de gol que chegou a 141. Em âmbito doméstico, a equipe estava invicta desde dezembro de 2016, quando perdeu para o PSG por 1 a 0. O Lyon também conquistou as últimas três edições da Champions League feminina, o que representa duas Tríplice Coroas seguidas. 

As parisienses foram vice-campeãs da liga nacional, a oito pontos das campeãs. A glória veio na Copa da França. É o primeiro título do PSG desde 2010 e também o inaugural da administração do Catar no futebol feminino. E isso porque o clube perdeu o seu treinador Patrice Lair, que deixou a equipe da capital dias antes da final em Estrasburgo para treinar o Niort, 15º colocado da segunda divisão francesa dos homens na última temporada. Quem comandou as mulheres interinamente foi o assistente Bernard Mendy. 

A partida ficou também marcada por ser a despedida da lateral esquerda Laure Boulleau, a jogadora que há mais tempo estava no Paris Saint-Germain. Ela não chegou a entrar em campo, mas deu adeus à carreira com um título, apenas o seu segundo pelo clube, após 225 partidas desde 2005. Aposentou-se aos 31 anos, o que parece estranho quando notamos que quem usou a braçadeira de capitã do PSG contra o Lyon foi a brasileira Formiga, 40. 

Simbolicamente, em contraste às veteranas, quem garantiu o título foi a nova geração. Marie-Antoinette Katoto, de 19 anos, revelação da temporada do futebol francês, marcou o único gol da partida. E foi uma pintura: Katoto pegou a sobra na entrada da área, deu um chapéu na marcadora e mandou no canto de primeira. 

Claro que choveria torrencialmente em um dia em que o Lyon fosse derrotado. Caiu tanta água dos céus de Estrasburgo, os trovões eram tão poderosos, que, por volta dos 15 minutos do segundo tempo, o árbitro Florence Guillemin teve que paralisar a partida. A pausa foi superior a uma hora, mais do que o recomendado para que o apitador decretasse a suspensão do duelo. O técnico Reynald Pedros e o presidente Jean-Michel Aulas advogaram a favor da interrupção definitiva. O técnico parisiense Mendy queria que o jogo continuasse – afinal, estava a 30 minutos da glória. No fim, Guillemin decidiu que a bola voltasse a rolar. O Lyon, em protesto, demorou para voltar ao gramado. Mas voltou. E a norueguesa Ada Hegerberg chegou a empatar, mas teve seu gol anulado.

Mandy ficou com um ótimo retrospecto: um jogo, um título. “Eu queria me aposentar que nem Zidane, mas acho que vou esperar um pouco mais”, brincou, em referência ao técnico do Real Madrid, que renunciou ao cargo depois de vencer três vezes seguida a Champions League. O Paris Saint-Germain ainda não está nesse patamar – nem no masculino. Mas foi a zebra e, em condições dantescas, conseguiu uma vitória histórica sobre o Lyon.