Título espanhol parecendo apenas um devaneio, eliminação vexatória para o Leganés na Copa do Rei durante a semana…  a crise no Real Madrid estava, e está, eclodida. Se o time não quisesse aumentá-la, havia apenas uma obrigação: vencer o Valencia fora de casa, na 21ª rodada do Campeonato Espanhol. A escalação veio com novidades: foi a primeira vez que o trio Gareth Bale-Karim Benzema-Cristiano Ronaldo começou como titular, após nove meses. E no “modo de segurança” – sem ser brilhante, mas decidindo na hora certa -, o Real obteve a vitória por 4 a 1, aliviando um pouco a situação da equipe de Chamartín.

A pressão madridista já foi vista aos sete minutos do primeiro tempo. Em lançamento para a área, Neto salvou o Valencia duplamente: primeiro ao sair socando a bola, para evitar o cabeceio de Cristiano Ronaldo, e depois ao defender o chute de Bale. Porém, os espaços abertos eram visivelmente aproveitados pelo Valencia: aos dez minutos, Geoffrey Kondogbia tocou a bola, perdida na meia-direita, e ela ficou à feição para o arremate de Rodrigo, que passou por cima da meta, perto de Keylor Navas.

Porém, se um time aproveitou as chances, foi o que tem mais talentos decisivos. Aos 16, em rápido contra-ataque, Cristiano Ronaldo levou a bola até a área. Na meia-lua, passou à esquerda, onde estava Marcelo. O camisa 12 madridista já deu a bola a Benzema, que devolveu a Cristiano. Já na área, o português foi derrubado na área. O juiz Javier Estrada marcou prontamente o pênalti, e foi o habitual: Cristiano Ronaldo cobrou, bola num canto, Neto em outro, 1 a 0, centésimo gol de pênalti do português em sua carreira, por clubes e seleção.

O Valencia ainda tentou aos 25′ – Kondogbia passou por Casemiro com um drible, e arriscou de fora da área, fazendo Navas rebater a bola. E até pressionava mais – incluindo boa chance de Kondogbia, aos 35′ -, só que um pênalti duvidoso rendeu o segundo gol aos Merengues, aos 38. Cruzamento para a área, e Karim Benzema caiu após se chocar com Martín Montoya. Choque acidental, mas Javier Estrada não quis saber: outro pênalti. E outra cobrança de Cristiano Ronaldo – e seu 101º gol da marca penal, no 2 a 0, isolando-o como jogador com mais pênaltis batidos na história do Campeonato Espanhol (72, um acima do mexicano Hugo Sánchez).

No segundo tempo, enfim o Valencia trouxe pressão real ao adversário. Começou a se movimentar mais no ataque, com mais toques. Até que aos 13 minutos, recuperou algumas esperanças, com o primeiro gol. Num escanteio, a bola foi mandada para a área. Santi Mina se antecipou à marcação de Nacho, entrou sozinho na pequena área e cabeceou, sem dar chances de defesa a Navas, para diminuir a vantagem madridista.

Então, a busca do empate aumentou de intensidade. Aos 20, Dani Parejo tabelou com Mina, dominou na entrada da área e arrematou, para defesa de Navas com os pés. Mais um minuto, e novo perigo dos Ches: no chute cruzado de Rodrigo Moreno, para fora. O Real respondeu só aos 23: Bale fez jogada veloz no contra-ataque, cruzou, e Cristiano Ronaldo escorou – Neto precisou defender em dois tempos a finalização à queima-roupa.

Até que a pressão valencianista amainou um pouco. Foi o momento que o Real precisava para definir o jogo, aos 39. No meio-campo, Toni Kroos deixou a bola a Marcelo. O brasileiro trocou passes com Asensio, devolveu ao atacante, recebeu a bola já na grande área e chutou cruzado. Neto falhou – a bola foi ao seu canto -, e veio o terceiro gol, confirmando a vitória dos visitantes da capital espanhola. Se faltasse algo no Mestalla, não faltaria mais a partir do penúltimo minuto, em outra bonita troca de passes: Kroos tabelou com Mateo Kovacic, recebeu do calcanhar do croata e arrematou no canto esquerdo de Neto, para transformar em goleada uma vitória que não resolve a crise do Real Madrid, mas pelo menos mantém as coisas controladas.