Aquelas noites europeias em Anfield ganharam mais um capítulo sensacional. O Liverpool venceu por 5 a 2 a Roma em um jogo muito, muito movimentado. De forma impressionante, o Liverpool criou inúmeras chances, que poderiam ter decretado uma goleada histórica e a classificação. Em um descuido no final, o time da casa saiu de um 5 a 0 para um 5 a 2. A Roma sai de campo comemorando ainda estar viva, em um jogo que poderia ter repetido o 7 a 1 que sofreu do Manchester United em 2007. Os dois gols tornam a missão possível, ainda que muito difícil. Uma eliminatórias que parecia morta parece ter ganhado ares de drama e um fio de esperança aos giallorossi.

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O começo do jogo deu a letra que talvez tenha mudado o confronto todo. A Roma começou muito bem, pressionou em cima e causou problemas ao Liverpool. Conseguiu chegar ao ataque e até acertou uma bola na trave, depois de um chute de Kolarov que o goleiro Karius falhou, tentou defender e não pegou. A bola tocou no travessão. O jogo era equilibrado, mas os visitantes mostravam um bom futebol.

Só que aos poucos o Liverpool tomou o controle do jogo e usou suas armas para pressionar. Com a Roma marcando bem alto, o espaço se abriu. E o Liverpool foi avassalador. Aos 27 minutos, em um contra-ataque rápido, Firmino fez uma boa jogada, deu um chapéu no marcador e lançou na esquerda para Mané, que avançou e, na cara do goleiro Alisson. Só que ele chutou por cima do gol. Logo em seguida, Firmino estava muito bem. Recebeu pelo lado direito, limpou a marcação e cruzou rasteiro para o meio da área. Mané pegou de primeira, mas completamente torto e longe do gol.

O Liverpool aproveitou o bom momento. O time criou mais uma chance pelo lado direito, desta vez com Salah, que tentou a tabela, a bola bateu no marcador, voltou para ele e o egípcio finalizou colocado, para boa defesa de Alisson. Três lances consecutivos que deixaram a torcida da Roma com o coração na boca.

Em um lance trabalhado no ataque, Milner recebeu na entrada da área, tocou para Robertson na esquerda, que cruzou de primeira e rasteiro no meio da área. Mané completou para o gol, mas nem deu tempo de comemorar: o gol foi anulado por impedimento, bem marcado pela arbitragem.

Só que o Liverpool chegaria ao gol. Dzeko perde a bola no meio-campo, o Liverpool recupera, Firmino toca para Salah que, marcado, cria espaço e chuta com a sua perna esquerda, no ângulo, indefensável: 1 a 0, aos 35 minutos do primeiro tempo. Bem melhor no jogo, o Liverpool empilhava chances contra uma Roma que demorava a entender qual era o problema. Parecia um boxeador sem saber como se defender e tomando uma sequência de socos.

Aos 45 minutos, o Liverpool conseguiu outro gol. E o mais incrível é que foi em um contra-ataque. Salah tomou, tocou para Firmino e o atacante fez um bom passe para Salah, que correu pelo meio e deu um toque sutil por cima de Alisson. A bola entrou de forma bastante sutil para dentro do gol.

Firmino marca pelo Liverpool (Photo by Clive Brunskill/Getty Images)

O primeiro tempo acabou com 11 finalizações do Liverpool, sendo sete delas corretas. Uma das erradas foi o chute de Mané por cima do gol, na chance mais clara do primeiro tempo que não virou bola na rede.

O segundo tempo continuou sendo um massacre. Uma sequência de lances que acabaria tornando o jogo uma goleada. Salah recebeu pela direita, com liberdade, avançou e cruzou rasteiro para Mané, que desta vez marcou: 3 a 0 para o Liverpool, aos 11 minutos. E a avalanche seguia. Aos 16, Salah novamente foi lançado pela direita, avançou com muito espaço e cruzou rasteiro, na pequena área, para Firmino completar para o gol e marcar 4 a 0.

Sete minutos depois, aos 23, o Liverpool ainda conseguiu ampliar. Desta vez em um escanteio, cobrado por James Milner, que Firmino subiu de cabeça para marcar 5 a 0. Os rostos dos torcedores da Roma pareciam perplexos. Os do Liverpool, eufóricos. Uma goleada inacreditável. E parecia que o Liverpool tinha uma sede de gols que não terminava. O time seguia atacando, buscando gols.

Aos 35 minutos, a Roma conseguiu diminuir o marcador. Em um bom lançamento de Nainggolan, Dzeko dominou no peito e finalizou bem: 5 a 1. Um gol de honra, talvez? Bom, a Roma seguiu acreditando. E partiu para cima. Pouco depois, aos 40 minutos, Nainggolan chutou e a bola foi bloqueada por Milner com as mãos. O árbitro marcou pênalti. Diego Perotti cobrou e marcou o segundo gol, diminuindo o placar para 5 a 2. Ainda duro, mas já ao menos possível.

Perotti marca, de pênalti, contra a Roma (Photo by Clive Brunskill/Getty Images)

O Liverpool vai para a Itália sabendo o que precisa fazer. Não pode perder por mais de dois gols de diferença se quiser sair classificado. Se tomar, precisará fazer três gols, o que parece improvável. A Roma precisa do mesmo que fez contra o Barcelona: 3 a 0. Não pode sofrer gols. Se vencer por 4 a 1, também serve, ainda classifica pelos gols fora de casa. Se repetir o placar do jogo de ida a seu favor, o 5 a 2, o jogo vai para a prorrogação.

Os 5 a 0 deixam o Liverpool praticamente classificado e o jogo de volta seria só uma burocracia. Mas os 5 a 2, ainda mais como terminaram, deixam os torcedores romanistas muito esperançosos de mais um milagre. Ainda mais porque o time poderia ter tomado mais do que os cinco gols que tomou. Poderia ter se tornado impossível. E depois do que vimos contra o Barcelona, dá para duvidar?

FICHA TÉCNICA

Liverpool 5×2 Roma

Local: Anfield Road, em Liverpool (ING)
Árbitro: Feliz Byrch (ALE)
Gols: Salah aos 35’/1T, 45’/1T, Mané aos 11’/2T, Firmino aos 16’/2T e aos 23’/2T (Liverpool), Dzeko aos 36’/2T, Perotti aos 40’/2T (Roma)
Cartões amarelos: Lovren, Alexander-Arnold, Henderson (Liverpool), Juan Jesus, Fazio (Roma)
Cartões vermelhos: nenhum

Liverpool

Loris Karius; Trent Alexander-Arnold; Dejan Lovren, Virgil Van Dijk e Andrew Robertson; Jordan Henderson, Alex Oxlade-Chamberlain (Geroginio Wijnaldum aos 18’/1T) e James Milner; Mohamed Salah (Danny Ings aos 30’/2T), Roberto Firmino (Ragnar Klavan aos 47’/2T) e Sadio Mané. Técnico: Jürgen Klopp

Roma

Alisson; Federico Fazio, Kostas Manolas e Juan Jesus (Diego Perotti aos 22’/2T); Alessandro Florenzi, Daniele De Rossi (Maxime Gonalons aos 22’/2T), Kevin Strootman e Aleksandar Kolarov; Radja Nainggolan e Cengiz Ünder (Patrick Schick no intervalo); Edin Dzeko. Técnico: Eusebio Di Francesco