Alex não foi “apenas” idolatrado durante os oito anos em que defendeu o Fenerbahçe. A relação com a torcida era bem mais intensa, com um quê de espiritual. Sem erros, pode-se dizer que o camisa 10 era venerado no Sükrü Saraçoglu, feito um deus da bola. O craque em carne e osso que, de tanto adorarem, os torcedores viram se transformar em uma escultura nos arredores do estádio. Olhando friamente, os três títulos do Campeonato Turco e o da Copa da Turquia representam pouco do tamanho da passagem de Alex pelos Canários. Mesmo a campanha histórica até as quartas de final da Liga dos Campeões 2007/08 fica aquém da grandeza. Porque a história do meia em Istambul se traduz não apenas em números, mas em sentimentos.

VEJA TAMBÉM: Alex: “É a hora de tomar a CBF de assalto”

De camisa 10 brilhante, mas oscilante, em seus tempos de Palmeiras, Alex viveu sua verdadeira afirmação com a camisa do Cruzeiro. Quem viu aquele ano de 2003 da Raposa nunca vai questionar a maestria do meio-campista. Depois da Tríplice Coroa, seu destino seria a Turquia. E mesmo sem estar em um grande centro da Europa, sua excelência ressoou muito além das fronteiras.

A qualidade de Alex para criar jogadas se combinava com o poder de decisão de seus chutes, especialmente de fora da área. Somando os tentos com as assistência, produziu quase um gol por jogo durante as 378 vezes em que esteve em campo pelos Canários. Foram 185 bolas nas redes, além de 162 passes decisivos para os companheiros. Muitos deles, donos de beleza ímpar. Outros tantos, resolvendo clássicos de enorme pressão, diante do fanatismo nas arquibancadas. Carregando o time. Daqueles que se impregnam na memória e se alastram ao coração.

A melhor dimensão do gigantismo de Alex no Fenerbahçe, no fim das contas, veio justamente em sua despedida. O meia saiu de maneira pouco condizente com a gratidão que deveria receber dentro do clube, após se desentender com o técnico Aykut Kocaman. E os torcedores deixaram expressa sua posição. Centenas fizeram vigília na porta da casa do brasileiro, incluindo até mesmo seguidores dos rivais Galatasaray e Besiktas. O respeito construído por um extraclasse, na bola e na mente, que se reproduziria de maneira parecida no Brasil – além de Coritiba, Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro.

De volta ao Couto Pereira em 2013 para encerrar a carreira, Alex virou apenas memórias aos torcedores do Fener. Memórias eternas, que rendem provas e provas de amor a cada encontro com a lenda. Memórias gravadas em metal, com a estátua inaugurada pouco antes de se despedir de Istambul. Mas que permanece por lá, para contar sua história de veneração por muito tempo.