“A ditadura militar foi um drama, mas tive sorte de não vivenciar, era criança. Cresci depois. Meus pais mantiveram isso distante de mim. É um tema sobre o qual não se tocou na Argentina por anos, se manteve como um tabu. Eu sei o que aconteceu, mas não quero voltar. Isso precisa ser falado, como se faz agora em meu país. Falar porque é o melhor modo de garantir que não possa acontecer novamente. Na Argentina todo o estado sofreu com um golpe de autoridade. No meu país, por exemplo, se você fala no exército pensa logo na ditadura. Mas o exército está para servir, em todas as democracias. Devemos chegar a um equilíbrio. Conseguiremos isso”.

A declaração acima foi dada por Gabriel Batistuta, em entrevista recente ao Corriere dello Sport. E a ditadura militar continua sendo tema de debate constante na Argentina, independentemente do círculo – inclusive no futebol. Neste sábado, completaram-se 42 anos do golpe de estado que levou o general Jorge Videla ao centro do poder. E os principais clubes locais se uniram para abordar a questão, relembrando mortos, torturados, desaparecidos e outras vítimas que pagaram as consequências pelo regime. Um expressivo número de equipes da primeira divisão usou suas redes sociais para divulgar o Dia Nacional da Memória pela Verdade e pela Justiça, clarificando o posicionamento através da hashtag #NuncaMás.

Todos os considerados “cinco grandes” do futebol argentino fizeram o seu protesto, enquanto outros tantos clubes de massa também não deixaram o assunto passar batido. Demonstra o nível de politização que atinge o futebol no país e a maneira como as próprias equipes se veem como ferramentas além do que acontece nas quatro linhas. Abaixo, reproduzimos os tuítes de algumas das agremiações, em questão muito bem levantada pelo jornalista Dimitri Barcellos. Também acrescentamos as mensagens de outros clubes: