Em um momento no qual a sombra de Carlo Ancelotti cresce sobre Milanello, Vincenzo Montella comemorou demais a vitória do Milan na Liga Europa. Era para ser um triunfo protocolar dos rossoneri, que abriram dois gols de vantagem sobre o Rijeka no San Siro. Ia se transformando em um enorme vexame, com os dois gols que davam o empate aos croatas durante os minutos finais. No entanto, nos acréscimos, Patrick Cutrone apareceu mais uma vez como talismã dos milanistas. Aos 48 do segundo tempo, o jovem atacante determinou a vitória por 3 a 2, a segunda do time na Liga Europa.

Montella escalou um time recheado de reforços. Dos novos contratados à disposição do treinador, apenas Ricardo Rodríguez e Nikola Kalinic ficaram no banco. O Milan não demorou a fazer o serviço. André Silva abriu o placar em bela jogada individual. E por mais que o Rijeka tenha tentado incomodar na volta do intervalo, aos oito minutos Matteo Musacchio anotou o gol que parecia assegurar os três pontos. O problema é que os croatas ressurgiram das cinzas no final. Aos 39, em contra-ataque, Boadu Acosty deixou Leonardo Bonucci no chão e, na dividida com Gianluigi Donnarumma, botou para dentro. Já aos 45, em um pênalti bobo de Alessio Romagnoli, Josip Elez empatou.

Os milanistas já pareciam conformados com o tropeço. Outra vez o time ficou devendo e mal havia finalizado na segunda etapa. Foi quando Fabio Borini, o reforço mais desacreditado do pacotão, tirou o coelho da cartola. Deu um belíssimo passe em profundidade para Cutrone. A defesa do Rijeka parou e o garoto demonstrou mais uma vez seu faro de artilheiro. Na comemoração, todos saíram para se abraçar no banco de reservas, sinal de apoio em uma semana difícil, após a derrota para a Sampdoria na Serie A.

O Milan sofre para engrenar neste novo momento. Teve dificuldades contra os adversários de mais peso na Serie A e não demonstra a voracidade que se espera. Tudo bem que as expectativas neste início são um pouco altas. Mas a cobrança vem, e deverá vir com mais força a partir deste final de semana, com a visita da Roma a Milão, antecedendo o clássico com a Internazionale. Ao menos na Liga Europa a situação está contornada, com os seis pontos que valem a liderança do Grupo D. Montella deve uma a Cutrone.