Quando surgiram as primeiras imagens do último episódio dos Simpsons, alguns brasileiros, em especial os corintianos, vibraram com as cenas mostrando a Arena Corinthians e alguns monumentos e prédios de São Paulo. Outros temeram pelo tipo de brincadeiras estereotipadas que o capítulo conteria sobre nosso país. Mas quem assistiu ao episódio, viu que o Brasil é apenas o cenário de fundo para o verdadeiro alvo da acidez da série: a Fifa.

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O capítulo é bastante revelador para retratar a imagem média e rasa – mas não injusta, que fique claro – que os americanos têm da entidade máxima do futebol e da organização do esporte em si. Homer Simpson acaba recrutado para apitar na Copa do Mundo porque a Fifa não está conseguindo encontrar árbitros incorruptíveis para a disputa do Mundial. Uma das melhores cenas do episódio é justamente o momento em que o vice-presidente executivo da federação, responsável pela realização da Copa, explica para Homer que precisa dele porque a corrupção está muito grande no futebol, tanto que ele mesmo é preso no momento da proposta, sendo imediatamente substituído por outro dirigente, que segue com a oferta.

Durante toda a estadia da família Simpson no Brasil, Homer é abordado por corruptores para que manipule resultados durante o Mundial. Até mesmo em campo, em outra cena de destaque, o personagem é alvo de tentativa de suborno por um jogador da Espanha, que, ao receber o amarelo, pega o cartão, enrola nele uma nota de dinheiro e o devolve para Homer, que retorna para o atleta, que, então coloca mais notas no bolo, e assim sucessivamente.

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Inevitavelmente, pelo episódio acontecer no Brasil, um ou outro estereótipo sobre o país aparece, como quando Bart está assistindo a um programa infantil no hotel e uma mulher seminua faz parte da atração, mas não há dúvida de que o tema é mesmo a corrupção no futebol. É até compreensível o pé atrás que algumas pessoas tinham ao ver que teria outro capítulo com o país como cenário, já que da outra vez, em 2002, o retrato desagradou até o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que não deveria ser um assíduo espectador do desenho. É bom lembrar que as críticas e estereótipos do desenho não são apenas uma provocação barata ou tiração de sarro ao nosso país especificamente. Eles fazem isso com diversas nações e, mais ainda, com os próprios Estados Unidos no decorrer do seriado. Bom, voltando ao futebol, claro que as coisas não acontecem na vida real exatamente da maneira como é mostrada no desenho do último domingo, mesmo porque se trata de uma imagem caricata da situação, que é o melhor recurso para se fazer críticas como essa em pouco mais de 20 minutos.

De qualquer forma, em meio a tantos escândalos de corrupção pipocando mundo afora, com, recentemente, a Inglaterra também entrando em investigações para desmascarar escândalos de apostas, nenhum fã do futebol pode afirmar que a escolha da temática foi descabida. Infelizmente, Matt Groening e companhia acertaram em cheio.

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