Cruzeiro e Racing faziam um jogo importante, mas de consequências brandas. No fechamento da fase de grupos, vencer o duelo no Mineirão valia a liderança no Grupo 5 da Copa Libertadores, assim como um moral tremendo antes da parada no torneio continental. De qualquer maneira, os dois gigantes estavam previamente garantidos nos mata-matas. Perder não significava o fim. Consequentemente, ambos os times protagonizaram um jogo bom de se assistir – a menos que você seja um ansioso cruzeirense ou racinguista. Foi um duelo aberto e franco, entre dos times que tentaram se impor em boa parte do tempo, embora cometessem os seus deslizes. Ao final, o início insaciável da Raposa preponderou. Dois gols em dez minutos valeram a tranquilidade, ante a pressão que a Academia provocou durante certos momentos. O triunfo por 2 a 1 assegurou os mineiros na primeira colocação.

Foi um deleite ver o Cruzeiro no início da partida no Mineirão. Empurrado pela torcida, era um time ofensivo, longe das amarras que o caracterizaram em momentos menos empolgantes dos últimos meses. Os celestes crescem com a boa fase de alguns jogadores e, assim, montaram a sua blitz. O primeiro gol saiu aos dois minutos, a partir de um grande passe de Robinho, para que Sassá chegasse à linha de fundo e cruzasse. Apesar da rebatida na área, Thiago Neves pegou a bola limpa e estufou as redes. Sassá, em chamas, perdeu uma boa chance na sequência e reclamou de um pênalti logo depois. Já aos dez minutos, o segundo gol nasceu em uma jogadaça de Lucas Silva. O meio-campista fez tudo: roubou a bola, seguiu em frente, limpou a marcação e acertou um chute no canto do goleiro Juan Musso.

Pela maneira como o Cruzeiro amassava o Racing, desencontrado na marcação, uma goleada se esboçou. Os mineiros atacavam de maneira direta e explorando os espaços. Só que logo os cruzeirenses diminuiriam a sua aceleração, administrando mais o resultado e recuando. Algo que permitiu à Academia crescer. Foram boas chegadas, aproveitando a movimentação de Augusto Solari pela direita e o apoio de Lautaro Martínez. A defesa da Raposa começava a travar os perigos. Já aos 27, saiu o gol que recolocava os albicelestes na partida. A bola rebatida sobrou limpa na área para Ricardo Centurión fuzilar.

A trocação se tornou mais aberta. O Cruzeiro voltou a sair um pouco mais, embora não encontrasse a mesma liberdade, com o Racing acertando o seu posicionamento. Pelo contrário, era a defesa mineira que se expunha. E as chegadas dos visitantes se tornavam uma preocupação. Lautaro lançou Solari e quase o ponta empatou, tocando por cobertura na saída de Fábio, em bola que caprichosamente bateu na trave. Depois, Alejandro Donatti ainda arriscou de longe e levou perigo. Os mineiros só responderam nos instantes finais, quando poderiam ter levado uma vantagem maior ao intervalo. Primeiro, Sassá teve um tento anulado. O pior viria depois, quando Arrascaeta saiu de frente com o goleiro, mas demorou demais para pensar o que faria e Musso realizou a defesa.

O segundo tempo viu uma queda de braço em dois lados que tentavam se impor. Sassá chamava a responsabilidade e quase deixou o seu, aos 13, com Musso buscando no cantinho. E havia entradas mais firmes, em arbitragem que deixava o jogo correr; erros de passes e conclusão de jogadas, aos montes; certo nervosismo entre os jogadores. Foi o que tornou o duelo mais tenso. Lautaro Martínez, em especial, parecia descompensado pela ausência na convocação da seleção argentina à Copa do Mundo. Não viveu sua melhor partida e parecia interessado demais em reclamar com todo mundo. Quem não o ajudou foi o outro cortado, Ricardo Centurión, que não entregou a bola ao parceiro em contra-ataque que poderia ser fatal.

O Cruzeiro perdeu sua movimentação no ataque e errava passes importantes no setor ofensivo. Ao menos, seguia bem protegido na cabeça de área, cortando as linhas de passe do Racing. O final da partida, todavia, se tornaria uma provação aos mineiros. A Academia tinha mais posse de bola e passava a alçar bolas na área. Dedé, mais uma vez, mantinha a segurança dentro da área, bem acompanhado por Léo. Nos momentos de maior apuro, os zagueiros corresponderam, assim como Fábio, em uma intervenção salvadora para evitar a cabeçada de Centurión.

As entradas de Federico Zaracho e Brian Mansilla davam mais velocidade ao Racing, ainda que o time tivesse dificuldades para criar, mesmo pelos lados do campo. No final, o Cruzeiro contava os minutos para o apito final. Arrascaeta entregou uma bola redonda a Raniel, que substituíra Sassá, mas o atacante mandou para fora. Já nos acréscimos, uma falta na entrada da área representou o melhor instante dos racinguistas, que não se concretizou, com a defesa se segurando.

O Cruzeiro não fez a melhor de suas partidas, pela maneira como perdeu embalo na sequência da noite, mas contou com boas apresentações individuais. Lucas Silva apareceu bem na cabeça de área, até pela liberdade para avançar no apoio. Thiago Neves, voltando de lesão, deu sua contribuição, por mais que tenha sentido o físico. Arrascaeta, exceção feita ao gol perdido, incomodou em diversos momentos e se responsabilizou pela intensidade dos celestes. Já Sassá foi bem ao transitar e abrir espaços. Não deixa de ser um time com potencial. Do outro lado, apesar da derrota, o Racing fez papel digno. Destaque pela maneira como a Academia se impôs na posse de bola e teve saída pela direita, com Iván Pillud e Solari.

A liderança do grupo não livra o Cruzeiro de pegar pedreiras. Esta vitória serve mais para garantir os mandos de campo na sequência da competição e injetar moral pela importância do resultado. Somando os dois jogos, cruzeirenses e racinguistas possivelmente fizeram os melhores duelos desta fase de grupos da Libertadores. Partidas abertas e com muitos gols, nas quais os erros atrapalharam os derrotados, ainda que tenham feito exibições razoáveis. Promessa ao que se verá nos mata-matas e, principalmente, a um eventual reencontro. São times em evolução e que talvez sintam o impacto do intervalo à Copa do Mundo. Mas que possuem predicados para sonhar grande, rumo às fases mais agudas.

PS: O Vasco também será tema de outro texto, obviamente, ainda nesta madrugada =)