O Manchester City entrou em campo nesta quarta-feira pelo recorde de pontos em uma única edição da Premier League. O duelo com o Brighton se tornava mera formalidade, quando o verdadeiro intuito dos celestes era conquistar a vitória, atingir os inéditos 97 pontos (superando os 95 do Chelsea de 2004/05) e, quem sabe, poder registrar a fantástica marca centenária na última rodada. Missão cumprida com o triunfo por 3 a 1, garantido em tentos de Danilo, Bernardo Silva e Fernandinho (todos com assistência de Leroy Sané), que também concederam aos mancunianos o recorde de gols na liga, 105 no total. O protagonista, entretanto, seria outro, e por isso a noite no Estádio Etihad foi tão especial. Nada melhor que uma ocasião histórica para homenagear um ídolo histórico como Yaya Touré, diante da torcida que o venerou por oito anos.

Desde que o Manchester City confirmou que estes seriam os últimos jogos de Yaya Touré, cujo contrato se encerra ao final da temporada, todos no clube se esforçavam para exaltar o meio-campista. Afinal, a trajetória de sucesso dos Citizens se transformou muito graças ao camisa 42, fundamental em tantas conquistas do clube nesta década. E o confronto com o Brighton seria o seu jogo, o jogo para ser endeusado. Algo que se tornou possível graças à participação de tanta gente, em campo e fora dele.

Yaya Touré compôs o meio-campo titular do Manchester City, ao lado de Ilkay Gündogan e Fernandinho. Ajudou a comandar as ações, em mais uma noite dominante do City. O camisa 42 distribuiu 117 passes, com um significativo aproveitamento de 93%. Seu principal momento, no entanto, aconteceu quando se soltou um pouco mais e buscou o gol derradeiro. Nestas oito temporadas, foram muitíssimos os tentos importantes do marfinense – o da final da Copa da Inglaterra em 2010/11, os dois contra o Newcastle que antecederam o milagre em 2011/12, o da final da Copa da Liga em 2013/14, as duas dezenas que carregaram o time ao título da liga em 2013/14. Nesta quarta, nada parecia mais natural que um gol do veterano. Mas quando ele tentou, ficou no quase.

O grito preso na garganta da torcida logo ecoou, minutos depois, transformado em cânticos a Yaya Touré. Aos 39 do segundo tempo, ele passou a braçadeira a Vincent Kompany, cumprimentou os seus companheiros e deixou o campo sob uma enorme ovação. O respeito devido a quem foi tão grande com a camisa do Manchester City e, sem dúvidas, engrandeceu o clube. Já ao apito final, mais homenagens. O marfinense voltou ao centro do gramado para receber das mãos do irmão Kolo um quadro com a camisa de número 316, em referência ao total de partidas que disputou pelos celestes. Ouviu as palavras de agradecimento de Kompany, companheiro em toda a jornada, e também ofereceu o seu discurso de despedida.

“Foi bom trazer o sorriso aos torcedores. Eles sempre foram muito solícitos, então eu e minha família queremos agradecê-los”, apontou Touré. Segundo o meio-campista, seu maior feito nestes oito anos foi ajudar a deixar o Manchester United à sombra do Manchester City. O gol no clássico válido pela semifinal da Copa da Inglaterra de 2010/11, em sua visão, marcou um ponto de virada. Uma virada que segue mantendo os Citizens um passo à frente dos Red Devils.

O futuro de Yaya Touré talvez não seja tão distante do Manchester City. O meio-campista sinalizou que deseja continuar na Premier League, mesmo que vá a uma equipe mais modesta, reduzindo os seus salários. Caso cruze com os celestes, quer se imaginar como um gladiador, que continuará lutando pela vitória. E os mancunianos sabem que enfrentarão um de seus maiores guerreiros, sem remorsos. Temido por todos e extremamente empenhado, por isso tão querido.