A chegada de André Pierre-Gignac estabeleceu o México como um mercado alternativo fora da Europa. Durante diferentes períodos históricos, vez por outra um medalhão de renome internacional pintou no Campeonato Mexicano. O costumeiro, no entanto, é que a Liga MX fosse um destino mais corriqueiro para atletas de outros países latino-americanos e também aos espanhóis. Nos últimos anos, cada vez mais a América do Norte entrou na rota de consagração de jogadores sul-americanos, com o fortalecimento econômico dos clubes mexicanos. Uma ascensão que respinga agora além do Atlântico e do Pacífico. Depois de Gignac, nomes como Ravel Morrison, Timothée Kolodziejczak e Keisuke Honda surgiram na liga local. E agora é o América do México quem surfa na onda, tentando reafirmar sua posição como um dos maiores clubes do país.

A semana foi movimentada na Cidade no México. Afinal, além de renovar o contrato do atacante Oribe Peralta, o América anunciou outras duas novidades. Uma delas não foge muito do padrão, com a chegada do atacante Andrés Ibargüen. O Campeonato Colombiano, cada vez mais, se torna um satélite da Liga MX e alguns bons jogadores cafeteros são levados ao norte do continente. Destaque do Deportes Tolima, o ponta de 25 anos foi comprado pelo Atlético Nacional em 2016 e participou da conquista da Copa Libertadores. Já no último semestre, vestiu a camisa do Racing, ainda que não tenha causado tanto impacto na Argentina. Tenta agora se reerguer no Azteca.

Mas o que realmente chama atenção é o outro reforço do América. As Águilas trouxeram o rodado Jérémy Ménez, antigo parceiro de Gignac na seleção francesa. O ponta está distante dos momentos mais relevantes da carreira – vividos principalmente em Roma, Paris Saint-Germain e Milan. Depois de uma estadia apagada no Bordeaux, vinha escondido no Campeonato Turco, formando o elenco de luxo do Antalyaspor ao lado de Samuel Eto’o, Samir Nasri e Johan Djourou. E não que Ménez impressionasse: disputou apenas nove partidas e não anotou um gol sequer, com seu time brigando contra o rebaixamento. Arrumou as malas e se mudou ao México.

Não deixa de ser uma aposta arriscada do América. Ménez tem sua qualidade técnica, mas a quantidade de problemas nos quais ele costuma se envolver contraindica sua contratação. Nas últimas três temporadas, desde o seu primeiro ano com o Milan, sequer se viu uma mínima mostra aceitável do talento do atacante. Mesmo assim, as Águilas avaliaram pertinente a sua contratação, talvez confiando que a renovação de ares na Liga MX possa ajudá-lo. Não deixa de ser interessante acompanhar este casamento inusitado, para ver se o veterano consegue suportar a pressão comum nos cremas – e ainda por cima comandado pelo genioso Miguel Herrera.

Ménez, aliás, não é o único europeu no radar do América. Durante as últimas semanas, o clube está empenhado em contratar também o holandês Luuk de Jong. O PSV, porém, tenta segurar o seu centroavante de qualquer maneira, até para manter sua força em busca do título do Campeonato Holandês. Resta saber se a vontade de ser campeão manterá o artilheiro impassível à oferta financeira do clube administrado pela Televisa. Depois de quase quatro anos em jejum no campeonato nacional, os cremas parecem dispostos a quebrar a banca em busca da taça – ou, ao menos, dos holofotes na mídia europeia.

Mas fica outra dúvida: qual o impacto de toda essa política de contratações sobre o futebol mexicano? Não seria de proveito maior apostar em um próprio talento local do que despejar um caminhão de dinheiro em um jogador de empenho duvidoso como Ménez? O América fez a sua avaliação e preferiu investir alto. É ver como os lucros serão colhidos também em campo ou se esta será apenas uma aventura do medalhão. Um exemplo como o de Gignac, por mais bem-sucedido que seja com o Tigres, soa como uma ocasião de mercado e uma exceção.