Desta vez não houve o mesmo desespero sufocante de 2015, quando os quatro anos consecutivos na segunda divisão estadual incomodavam a tradição rubra. Uma temporada depois de ser rebaixado no Campeonato Carioca, o America volta à elite do Rio de Janeiro. Confirmou o acesso nesta terça-feira, em Moça Bonita, ao derrotar o Audax por 2 a 0. Recoloca sua grandeza no lugar onde é pertinente, honrando a história de quem possui sete títulos estaduais. E tentará ainda a terceira taça da segundona, em final de camisas respeitáveis contra o Goytacaz – este sim retornando à primeira divisão após longo hiato, que já durava 25 anos.

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O America não apresentou grande resistência no Campeonato Carioca de 2016. Chegou a fazer um papel digno na primeira fase, perdendo a classificação à chamada Taça Guanabara (o octogonal principal na segunda fase) por apenas um ponto. Já na etapa seguinte, a fraca campanha, com uma vitória em sete rodadas, decretou o rebaixamento. O maior temor dos torcedores rubros não era necessariamente a queda, mas a permanência por mais alguns anos na segundona. Desta vez, ao menos, a reação do Diabo foi rápida para escapar do inferno em poucos meses.

Campeão da Taça Corcovado, o segundo turno da Série B1, o America confirmou a classificação à fase final da segunda divisão. Teria um jogo decisivo contra o Audax, dono de uma das melhores campanhas da competição. E os rubros não deram qualquer chance ao azar na partida que definiu o acesso. Partindo para cima, a equipe abriu o placar aos 13 minutos, com Anderson Künzel. Os americanos tiveram alguns problemas, especialmente após a lesão do goleiro Felipe. Mas conseguiram segurar a vantagem e fechar a conta aos 29 do segundo tempo, com Allan, garantindo a festa de boa parte dos 1,5 mil presentes nas arquibancadas de Moça Bonita.

Entre os principais responsáveis pelo sucesso do America está um técnico que também possui certa influência sobre a atual seleção brasileira. Lucho Nizzo comandou a equipe nacional sub-17 e chegou a treinar nomes como Neymar, Philippe Coutinho, Casemiro e Alisson no Mundial da categoria, disputado em 2009. A equipe não passou da primeira fase e a carreira do treinador deu muitas voltas, trabalhando em diversas equipes cariocas, sobretudo. Em junho, no meio da campanha na Série B1, assumiu a prancheta americana. Acabou bastante celebrado pela guinada que proporcionou à equipe, com ótimos resultados a partir do segundo turno.

Agora, o objetivo do America é levar mais uma taça para casa. O Diabo já conquistou a segunda divisão nas duas últimas oportunidades em que assegurou o acesso, em 2009 e 2015. Para chegar ao tricampeonato, precisará superar o embalado Goytacaz, querendo fazer mais depois da erupção que se viu em Campos. O primeiro jogo acontece no próximo dia 26, no Giulitte Coutinho. Já a volta fica marcada para o dia 30, no Aryzão. E se a taça é o foco imediato do Mecão, o horizonte precisa ser mais amplo.

Para quem nunca tinha sido rebaixado até 2008, o calvário do America nos últimos anos é extenso. O clube tem trabalhado para contornar as suas dívidas e manter a folha de pagamentos em dia. Contudo, em uma realidade na qual as federações costumam negligenciar os pequenos, é mais difícil seguir de maneira sustentável. O retorno à primeira divisão, mais uma vez, serve de esperança para dias melhores. O desafio é agarrar a chance e continuar na elite além de uma ou duas temporadas, como aconteceu nos últimos acessos. Alternativa para rechear o calendário, a Série D seria o próximo passo nesta direção, mas demanda um planejamento de médio prazo, que extrapole a dependência financeira do próprio estadual. Neste momento, a mera volta à primeira divisão já se torna um alento à combalida torcida.