Já se passaram 12 anos desde a invasão do Afeganistão dos Estados Unidos. Os americanos instituíram uma guerra aberta ao terror no país asiático, que culminou com a queda do regime Talibã e a reinstauração da democracia no país. Mas nem por isso os invasores são vistos com bons olhos pelos afegãos. Independente da missão, são intrusos. Que, por mais que reafirmem o acidente em muitos casos, foram responsáveis por milhares de mortes de cidadãos que não tinham nada a ver com o terrorismo.

Como então fazer para que um americano se sinta totalmente integrado em Cabul, a capital afegã? O futebol é um ótimo caminho. E o exemplo de Nick Pugliese ajuda a comprovar isso. Jogador na época de faculdade, o americano mudou-se para o Afeganistão ao ser contratado por uma empresa de telecomunicações. Começou a jogar na equipe da companhia e acabou atraindo o interesse do Ferozi, time da Premier League de Cabul. Tornou-se o primeiro futebolista profissional americano no país invadido, ganhando US$ 300 para tanto.

Apesar dos distanciamentos culturais, Pugliese triunfou no Ferozi. Levantou a taça do campeonato da cidade, vencido nos pênaltis. Fez que o futebol voltasse a tomar o Estádio de Ghazi, que anos antes servia para os fuzilamentos promovidos pelo Talibã. E, mais importante, se tornou parte integrante da sociedade. Não é discriminado, criou laços de amizade. Por mais que o temor de um atentado, diante da fama que construiu, tenda a afastá-lo do futebol.

A passagem de Pugliese pelo Afeganistão é contada nessa excelente reportagem da ESPN americana. O áudio está em inglês, mas é possível ativar também legendas no idioma. Uma grande história que vai muito além do futebol. Também é possível acompanhar o cotidiano do americano no blog Football in Kabul.