Imagina não poder xingar o diretor do clube que contratou aquele pereba? E o presidente que deixou o principal atacante do time ir embora por uma mixaria? O Aston Villa está tentando restringir o direito inalienável de alguns torcedores usarem as redes sociais para criticar as ações da diretoria. É um dos 20 pontos de um código de conduta que os 200 grupos de torcedores ao redor do mundo estão sendo meio que forçados a assinar.

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O ponto determina que: “Você não vai tomar parte em nenhuma conversa abusiva sobre qualquer um associado ao clube em qualquer fórum público, seja uma página pessoal que leva o seu nome, ou uma página que leva o nome do Lions Club (como são chamados os fã clubes), inclusive redes sociais, como Facebook, Twitter, etc”. A definição de “conversa abusiva” pode ser tão abrangente quanto uma crítica um pouco mais inflamada à substituição do treinador.

A ideia, segundo o Birmingham Mail, saiu da cabeça do diretor de marketing e comunicação do Aston Villa, Russell Jones. Os 20 pontos foram desenvolvidos em uma reunião com Jones, o representante do clube para os torcedores Alan Perrins e seis presidentes de fã clubes. Todos poderiam se inscrever e a meia dúzia foi escolhida meio aleatoriamente.

“Eu me sinto traído e enojado”, disse o chefe do Somerset Lions, Bob Moore, um dos que está se recusando a assinar o código. “O tom é muito ditatorial, como os que estamos acostumados a ver na Coreia do Norte ou na Rússia.” Outro ponto que está causando irritação é o quatro, que proíbe o repasse dos ingressos para pessoas que não sejam associadas. “Eu preciso ser flexível, mas estão impedindo isso”, disse Moore. “Estão praticamente dizendo: assinem ou vocês estão fora. Estão nos tratando como crianças e esquecendo que somos voluntários, e não funcionários do Aston Villa. Não assinei e conheço muitos presidentes que também não vão assinar”.

Outro exemplo de uma diretriz mais autoritária do clube, que passa por problemas de bastidores (o principal executivo se demitiu e o dono quer vendê-lo), foi a decisão de expulsar o ex-jogador Ian Taylor da viagem de pré-temporada porque ele escreveu uma coluna publicada no Birmingham Mail que irritou o técnico Paul Lambert. O também ex-jogador Lee Hendrie foi no lugar.

O clube defendeu-se dizendo que o código de conduta foi escrito de uma forma “inteiramente consultiva” e contém “termos em condições que valem desde 2008”. Afirmou que “não é um decreto que os ingressos não podem ser repassados a qualquer um que não seja o torcedor que o comprou”, mas que é apenas uma “tentativa de evitar o cambismo”.

Os fã clubes representam o clube e realmente precisam tomar cuidado com suas atitudes. Muitos dos pontos são louváveis e proíbem racismo, sexismo e homofobia, e a maioria dos 200 presidentes deve assinar o código de conduta. Mas ainda bem que ainda existem poucos e bons lutando pelo direito de se livrar de todo o estresse da semana nas arquibancadas do estádio.

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