O Bayern de Munique é a grande potência das ligas nacionais europeias nesta temporada. Pudera, diante do estrago que os bávaros vêm fazendo na Bundesliga. No entanto, por mais que o time de Guardiola encha o peito para bradar suas marcas, dificilmente terá o melhor ataque do continente. E não é por culpa Mandzukic, Müller, Ribéry e companhia, que já fizeram 76 gols em 26 jogos. Algumas dezenas de quilômetros ao sul da Baviera, em outra Bundesliga, há uma máquina ainda mais mortífera. Que, neste domingo, garantiu o oitavo título austríaco ao Red Bull Salzburg.

Os números do ataque dos Touros são impressionantes. Campeã com cinco rodadas de antecedência, a equipe marcou 98 gols em 28 jogos, média de 3,5 bolas na rede a cada duelo. Em 15 de suas 24 vitórias, o Red Bull anotou quatro tentos ou mais – com direito a seis triunfos com cinco gols no placar, quatro com seis gols e até mesmo um 8 a 1 em cima do Wiener Neustadt, em setembro. O mesmo rival desta rodada, da coroação em Salzburg, com um placar mais piedoso: 5 a 0, com três gols do brasileiro Alan, ex-Fluminense. Derrotado apenas duas vezes ao longo da campanha, o clube acumulou sua 12ª vitória consecutiva, a segunda melhor sequência da Europa hoje, atrás apenas do Bayern. E a defesa se segura bem, só vazada 23 vezes

De qualquer maneira, o orgulho mesmo é o setor ofensivo, e o Red Bull Salzburg pode encher a boca para dizer que possui a dupla de ataque mais perigosa da Europa. Juntos, os atacantes Alan e Jonathan Soriano anotaram 50 gols, acima até mesmo de Luis Suárez e Daniel Sturridge, com 47 tentos na Premier League. Os parceiros do clube austríaco ainda somam 21 assistências pela liga. E Soriano, de jogador desprezado no Barcelona B, se tornou o segundo maior artilheiro do continente nesta temporada. São 41 gols em quatro torneios (26 na Bundesliga + 11 na Liga Europa + 3 na Copa da Áustria + 1 na Champions), apenas um a menos que Cristiano Ronaldo. Mesmo assim, a média do espanhol é superior: 1,28 gols por partida, contra 1,11 do merengue.

Logicamente, o Campeonato Austríaco não é parâmetro para o nível de concorrência do Espanhol, muito menos do Inglês. O que não diminui a façanha do Salzburg. Para se ter uma ideia, os tradicionalíssimos Rapid Viena e Austria Viena, terceiro e quarto na tabela da Bundesliga, somam juntos 96 gols na campanha. Dois a menos que o Red Bull. Em uma liga com dez times, os Touros Vermelhos são responsáveis por 20,6% do total de bolas na rede, o dobro de sua ‘cota natural’. E a barreira dos 100 gols, que não é quebrada por um time austríaco desde 1958/59, é mero detalhe para o próximo compromisso da equipe de Roger Schmidt.

Diante de tamanha predominância na Áustria, o Red Bull Salzburg tem consciência de qual o seu próximo passo, e já faz algum tempo: emplacar um grande sucesso nas copas continentais. Neste ano, o clube protagonizou sua melhor campanha na Liga Europa ao eliminar o Ajax nos 16-avos de final, mas caiu ante do Basel na etapa seguinte de maneira um pouco decepcionante. Pelo nível de investimento da empresa de energéticos, os Touros tinham obrigação de ter alcançado pelo menos uma vez a fase de grupos da Liga dos Campeões. Ao invés disso, acumulam seis eliminações nas preliminares, incluindo o vexame para o Dudelange em 2012/13 – o primeiro clube de Luxemburgo a passar de fase nas fases qualificatórias da competição.

Em 2014/15, o Red Bull Salzburg já assegurou sua nova chance na Champions. Para tanto, conta com vários jogadores promissores: o goleiro Péter Gulácsi, o zagueiro Martin Hinteregger, o volante Valon Berisha e (principalmente) o ponta Sadio Mané. Todos com menos de 23 anos e um grande potencial. Podem ajudar nesse passo adiante imaginado pelos Touros, especialmente se Alan e Jonathan Soriano seguirem fulminando quem aparecer pela frente.