O Atlético Paranaense fechou 2013 muito acima das expectativas. Com uma equipe bem encaixada por Vágner Mancini e sobrando fisicamente graças à estratégia deixar de lado o Estadual, o Furacão foi terceiro no Brasileiro e vice da Copa do Brasil. Só que o calendário virou e algumas das virtudes do time parecem ter ficado no passado. A estreia ‘oficial’ dos rubro-negros na temporada, mandando a campo o time principal, foi muito aquém do visto no último ano. E a derrota por 2 a 1 para o Sporting Cristal, no jogo de ida da pré-Libertadores, não foi tão ruim diante das péssimas circunstâncias em que o confronto se desenrolou.

O esquema tático e muitas das peças utilizadas por Mancini foram mantidas por Miguel Ángel Portugal. O problema é que a forma como a equipe se portou em campo mudou. E o entrosamento ganho nos treinos não pareceu ser suficiente para o novo estilo. O Atlético se posicionava adiantado demais sem a bola, bem diferente do time compacto e de recomposição rápida do ano passado. A linha de impedimento inventada pelos visitantes não funcionava e o Sporting Cristal aproveitou essas brechas. Justamente assim é que os peruanos abriram o placar, com Irven Ávila saindo nas costas da zaga para bater Weverton.

Já no segundo tempo, duas decisões discutíveis do árbitro Enrique Osses resultaram em um pênalti para cada lado – ainda que a bronca dos brasileiros tenha sido maior. Éderson empatou e Carlos Lobatón retomou a vantagem, logo aos 16 minutos. Sem querer voltar a Curitiba com a derrota, o Atlético tentou pressionar a saída de bola dos celestes em busca do empate. O problema é que a estratégia saiu pela culatra. O Sporting Cristal tinha ainda mais espaço para aproveitar o espaço atrás da linha de defesa e só não ampliou por falta de pontaria. No fim das contas, a diferença de um gol no placar, mais o tento fora de casa, já satisfizeram o Furacão.

O resultado é reversível, com uma vitória simples já classificando o Atlético. A questão maior será a postura dos rubro-negros para a volta. O Sporting Cristal deverá se fechar na visita ao Brasil, buscando encaixar um contra-ataque – algo ao qual os atleticanos se mostraram vulneráveis demais nesta quarta. Miguel Ángel Portugal precisa preparar encaixar melhor sua equipe ou readaptar a maneira como ela se porta em campo. A Libertadores é praticamente o único foco dos paranaenses neste primeiro semestre. E atuar de maneira tão imprudente, como foi em Lima, só tende a encurtar a vida do clube na competição continental.