Depois do Cruz Azul, o segundo time do Mundial de Clubes de 2014 foi confirmado. E não espere novidades como a que aconteceu na Concachampions. O Auckland City venceu mais uma vez a Liga dos Campeões da Oceania. É o clube com mais participações consecutivas no torneio da Fifa, a quarta consecutiva. E também superou o Al Ahly em número de presenças, a sexta desde 2006. O que torna a pergunta natural: ninguém consegue competir com eles?

Neste sábado, o Amicale ficou por um triz da conquista. Após o empate por 0 a 0 em casa, o time de Vanuatu foi à Nova Zelândia confiando que poderia surpreender. Afinal, já tinha vencido o Auckland na fase de grupos, em campo neutro, e pareciam ter determinação para conseguir o resultado. O clube da ilha de 250 mil habitantes foi para o intervalo com a vantagem, graças ao gol de Kensi Tangis nos acréscimos do segundo tempo. Mas os neozelandeses empataram e, aos 42 do segundo tempo, viraram, tirando quaisquer esperanças do Amicale.

O Auckland chegou ao tetracampeonato na LC da Oceania. Está próximo de igualar o penta do Real Madrid de Di Stéfano e Puskás, até hoje o recorde de títulos consecutivos em torneios continentais. Mostra mais do que convincente do nível do domínio do clube no torneio. Como era aquele esquadrão merengue, o Auckland não vence todo ano o Campeonato Neozelandês. Porém, já conhece todos os atalhos da Liga dos Campeões, um campeonato de tiro curtíssimo (entre a estreia e o último jogo final da equipe, foram cinco semanas) e no qual consegue se impor pela própria tranquilidade que a hegemonia lhe dá. E que, além disso, garante um dinheiro de premiações muito bem-vindo a sua estrutura semi-amadora.

Não quer dizer que o título vai ficar sempre com a Nova Zelândia. O Waitakere United, grande rival do Auckland no torneio nacional (foi tetra entre 2010 e 2013), tem se dado mal desde que conquistou o seu único título, em 2007/08. Nesta temporada, por exemplo, sequer passou da fase de grupos, superado por Pirae (do Taiti) e Solomon Warriors (Ilhas Salomão). O Auckland só avançou às semifinais por ter sido o melhor segundo colocado. Nos mata-matas, entretanto, fez miséria com todos os times dos arquipélagos no Oceano Pacífico.

Apesar do domínio recorrente dos neozelandeses na Liga dos Campeões, essa força entre os clubes é menor do que a imposta por sua seleção sobre os vizinhos. O Hekari United, de Papua Nova-Guiné, campeão continental em 2010, já mostrou que é possível. Pirae, Amicale e Ba (Fiji), não chegaram mais longe por meros detalhes. Ver um nanico aparecendo no Mundial de Clubes não deve ser tão raro quanto um Taiti na Copa das Confederações. A questão maior é não deixar que a tarimba do Auckland pese tanto nos momentos decisivos. Quebrar a sequência de títulos, no momento, parece até mais desafiante do que ser campeão.


Uma resposta para “O Auckland City mais uma vez estará no Mundial de Clubes: o que pode ameaçar a sua hegemonia?”

  1. David Sousa disse:

    E lembrando que o Amicale ainda perdeu um pênalti quando tava 0 a 0.

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