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O Benfica se reencarna como campeão para superar suas tragédias e honrar seus ídolos

O cenário era de um grande velório. Tudo o que tinha que dar errado para o Benfica deu em 2012/13. Vice da Taça de Portugal, vice da Liga Europa e vice do Campeonato Português – no qual, depois de passar a campanha toda disputando a liderança com o Porto cabeça a cabeça, viu o sonho ruir depois de um gol heroico de Kelvin nos minutos finais do clássico. A passagem de Jorge Jesus parecia acabada no Estádio da Luz. Mas os benfiquistas bancaram o técnico. E começaram a escrever uma das maiores temporadas de recuperação dos últimos tempos. O primeiro capítulo, encerrado neste domingo, com o 33º título nacional dos vermelhos. A reencarnação dos encarnados, justo em um domingo de Páscoa.

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A campanha do Benfica no Portuguesão foi irrepreensível. A derrota para o Marítimo, logo na estreia, dava a impressão de que o time havia sentido mesmo o baque dos fracassos recentes. Mas foi só um ponto fora da curva. A partir de então, o time emendou 27 partidas invicto, vencendo os três clássicos que disputou – dois contra o Sporting e um contra o Porto. Com duas rodadas de antecipação, o triunfo foi comemorado no Estádio da Luz lotado. O Olhanense até tentou fazer jogo duro, mas os 2 a 0 construídos no segundo tempo fizeram o coração vermelho pulsar mais forte.

Coube a Lima, artilheiro da trajetória vitoriosa, ser o responsável por marcar os dois tentos na decisão. Um dos principais nomes do time, ao lado de Rodrigo Moreno e Nicolas Gaitán. Nem mesmo a perda de Nemanja Matic para o Chelsea em janeiro, um dos pilares encarnados, foi o suficiente para tirar o time da rota do título. Bastante compreensível para o melhor ataque da competição e também para a melhor defesa, com apenas 15 gols sofridos em 28 rodadas – números sustentados graças à solida dupla formada por Luisão e Ezequiel Garay, assim como pelo bom goleiro Jan Oblak, que tomou a posição no meio do campeonato.

Um título que vale, bem mais do que para quebrar o jejum de quatro anos sem a taça ou interromper a série de três vice-campeonatos, para honrar Eusébio. O craque que liderou os benfiquistas a um terço de seus títulos nacionais, levantando 11 vezes o troféu de campeão português., Ao lado de Coluna, o cérebro do esquadrão na década de 1960 e que também faleceu nesta temporada, deixou uma lacuna enorme no Estádio da Luz, toda uma torcida órfã. Entretanto, também uma memória gloriosa, que serve de motivação para uma temporada irretocável do Benfica.

O título continental, que não vem desde os tempos do Pantera Negra, pode ser reconquistado com a Liga Europa. A missão não é nada fácil, contra a Juventus, mas um triunfo sobre os bianconeri seria um impulso e tanto para a decisão, na qual enfrentará Valencia ou Sevilla. Já na Taça de Portugal, há a possibilidade de desforra contra o Porto, buscando a dobradinha que aconteceu a última vez em 1986/87. E ainda há a última rodada do Portuguesão, com um clássico que não valerá mais nada para o campeonato, mas terá importância especial para o orgulho do Benfica.

Impor-se sobre os portistas mais uma vez, ainda mais no Estádio do Dragão, será a mostra que a tragédia de 2012/13 é apenas parte do passado. Um passado já bastante superado pelos encarnados.

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