O Besiktas atravessou um momento único na fase de grupos da Liga dos Campeões. Fez uma campanha bastante surpreendente e terminou na primeira colocação de sua chave, se classificando de maneira inédita aos mata-matas. As bolinhas do sorteio, todavia, foram maldosas com os turcos. Colocaram o Bayern de Munique em seu caminho. E em apenas 90 minutos, os alemães destruíram os sonhos das Águias. O jogo de ida das oitavas de final contou com uma aula de ofensividade na Allianz Arena. A expulsão de Domagoj Vida, com menos da metade do primeiro tempo, prejudicou muito os visitantes. Abriu o caminho para os bávaros comandarem seu massacre, especialmente na etapa final, em goleada por 5 a 0. O time de Jupp Heynckes se antecipa e a confirmação do lugar entre os oito melhores da Europa é mera formalidade, com o reencontro em Istambul marcado para o início de março.

Em sua escalação, Heynckes manteve a rotação que toma forma durante as últimas partidas. Poupou boa parte daqueles que jogaram contra o Wolfsburg no final de semana, incluindo medalhões como Arjen Robben e Franck Ribéry. Assim, James Rodríguez e Arturo Vidal eram as referências no meio, municiando a trinca de ataque composta por Thomas Müller, Robert Lewandowski e Kingsley Coman. Do outro lado, Senol Günes confiou em sua base principal, recheada de veteranos. Entre os destaques individuais, a espinha dorsal formada por Pepe, Ricardo Quaresma e Anderson Talisca. Já no comando de ataque, Vágner Love estreava nesta Champions. O brasileiro não disputava a competição desde 2011/12, quando ainda defendia o CSKA Moscou.

Desde os primeiros minutos, o Bayern mostrou quem mandava em Munique. Dominava a posse de bola e pressionava no campo de ataque. Foram boas chances criadas logo de cara pelos bávaros, com direito a uma defesa de Fabri em chute de Coman. O Besiktas, entretanto, não era totalmente passivo. Tentava marcar de maneira agressiva e partia com velocidade ao ataque. Parecia pronto a incomodar os bávaros, especialmente nas arrancadas de sua trinca de meias. O problema é que o jogo acabou se definindo aos 17, por uma decisão da arbitragem.

Após bola perdida por Atiba Hutchinson na cabeça de área, Lewandowski ia partindo sozinho. Então, Domagoj Vida acertou o carrinho no centroavante, parando-o com falta na entrada da área. O árbitro romeno Ovidiu Hategan entendeu o lance como passível de cartão vermelho, mandando o croata para o chuveiro. O Besiktas reclamou muito, mas precisava se adaptar às circunstâncias. Senol Günes preferiu não gastar suas alterações, recuando Gary Medel para zaga e formando uma linha de quatro no meio. Anderson Talisca passava a ser volante. Na cobrança da perigosa falta originada no lance, James mandou para fora.

A partir de então, o jogo esteve ainda mais sob o controle do Bayern. Os alemães se posicionavam no campo de ataque e espremiam os turcos contra a sua área. As chegadas do Besiktas eram raras, mas havia capacidade individual para ameaçar. Tanto que, aos 19, Vágner Love quase abriu o placar. O atacante disparou, em ótima jogada individual, após recuo errado de Kimmich. Deixou Hummels e Jérôme Boateng na saudade, mas, quando teve espaço para arrematar, bateu para fora.

O Bayern se impunha no ataque, mas demorou a encontrar novas brechas na defesa adversária. E quando conseguiu, aos 30 minutos, parou em milagre de Fabri. O goleiro operou uma defesaça, em cabeçada à queima-roupa de Mats Hummels. Os bávaros confiavam especialmente no jogo aéreo. Já do outro lado, as bolas paradas e os contra-ataques eram as raras esperanças. Por volta dos 40, foram algumas ameaças, sobretudo com Ricardo Quaresma, que pedalou para cima de Hummels e exigiu boa defesa de Sven Ulreich. Neste momento, a torcida turca cresceu. As vaias dos alvinegros tomavam a atmosfera do estádio quando os anfitriões tinham a posse.

Aos 43, porém, a insistência do Bayern deu resultado. E dependeu diretamente da qualidade individual de Coman. O ponta deu um drible desconcertante em Adriano e chegou à linha de fundo. Cruzou rasteiro para David Alaba, que ajeitou e Thomas Müller apareceu livre dentro da área. O atacante chutou meio desengonçado, o suficiente para mandar entre as pernas de Fabri, que tentava abafá-lo. Apesar da demora para sair, a vantagem dos bávaros era completamente compreensível. Antes do intervalo, o time da casa ainda perderia James Rodríguez. O colombiano tomou uma forte bolada no rosto e saiu diretamente aos vestiários, suplantado por Arjen Robben.

O duelo intenso do primeiro tempo caiu de ritmo no segundo. Ficou ais nas mãos do Bayern, com o Besiktas sentindo a exigência física. A blitz se seguiu e, enfim, abriu folga no placar. Lewandowski quase anotou um golaço de falta, carimbando na trave. Já aos sete, o centroavante assumiu o papel de garçom. Em ataque envolvente, com boa troca de passes, cruzou e Coman apareceu livre para completar de primeira. As esperanças dos turcos se esvaíam e Senol Günes optou por recompor o sistema defensivo, tirando Vágner Love para a entrada do zagueiro Dusko Tosic. Mesmo pouco acionado, o veterano fez bem o seu papel, com bons dribles. Mas a precaução dos visitantes pouco adiantou.

Aos 21, Kimmich cruzou e Thomas Müller se antecipou no primeiro pau para anotar mais um, o terceiro da equipe. A primeira finalização do Besiktas no segundo tempo aconteceu apenas aos 30 minutos, em bom lance de Talisca, que perdeu o apoio no chute e mandou por cima do travessão. Mas quatro minutos depois, seria a vez de Lewandowski marcar o seu. Hummels soltou uma bomba de fora da área, Fabri espalmou como deu e o centroavante não perdoou o rebote. Heynckes gastou suas últimas substituições, dando um descanso a Coman e Vidal, para as entradas de Franck Ribéry e Corentin Tolisso. Quem não descansou foi Fabri. O goleiro fez mais uma defesaça, espalmando míssil de Javi Martínez, e evitava um prejuízo maior. Por fim, aos 43, buscou a bola no fundo das redes pela última vez. Müller recebeu enfiada de Kimmich e cruzou na medida para Lewandowski fechar o caixão, com o quinto tento.

Por aquilo que o Bayern de Munique criou, ainda é possível dizer que o placar não foi dos mais elásticos. Os bávaros finalizaram 35 vezes ao longo dos 90 minutos. Aproveitaram o desfalque precoce do Besiktas e a lentidão da linha de zaga dos turcos, sofrendo com as bolas às suas costas. Estrago feito, que permite um pouco mais de tranquilidade aos bávaros na viagem à Istambul. A pressão imposta na Vodafone Arena não causará tantas preocupações. Aos alvinegros, resta tentar terminar de maneira honrosa a campanha histórica até os mata-matas da Champions. Do outro lado, no entanto, estava o Bayern. Ganhando eficiência e consistência desde o retorno de Heynckes, os alemães se firmam um pouco mais entre os principais concorrentes ao título continental.

Ficha técnica

Bayern de Munique 5×0 Besiktas

Local: Allianz Arena, em Munique
Árbitro: Ovidiu Hategan (ROM)
Gols: Thomas Müller, aos 43’/1T; Kingsley Coman, 8’/2T; Thomas Müller, aos 21’/2T; Robert Lewandowski, aos 34’/2T; Robert Lewandowski, aos 43’/2T.
Cartões amarelos: Robert Lewandowski (Bayern); Ricardo Quaresma, Pepe e Dusko Tosic (Besiktas)
Cartões vermelhos: Domagoj Vida (Besiktas)

Bayern de Munique
Sven Ulreich, Joshua Kimmich, Mats Hummels, Jérôme Boateng e David Alaba; Javi Martínez, Arturo Vidal (Corentin Tolisso, aos 38’/2T) e James Rodríguez (Arjen Robben, aos 44’/2T); Thomas Müller, Robert Lewandowski e Kingsley Coman (Franck Ribéry, aos 36’/2T). Técnico: Jupp Heynckes.

Besiktas
Fabri, Adriano, Pepe, Domagoj Vida e Caner Erkin (Gökhan Gönül, aos 34’/2T); Gary Medel (Tolgay Arslan, aos 40’/2T) e Atiba Hutchinson; Ricardo Quaresma, Anderson Talisca e Ryan Babel; Vágner Love (Dusko Tosic, aos 12’/2T). Técnico: Senol Günes.