É cedo para dizer quão boa será a campanha do Betis no Campeonato Espanhol. Os verdiblancos melhoraram bastante sob as ordens de Quique Setién e deverão passar longe da briga contra o rebaixamento, como foi no último ano – embora as oscilações também não permitam cravar se brigarão pela Liga Europa. Mas, independentemente da posição final, esta temporada já é histórica para os beticos. E tudo por aquilo que aconteceu neste sábado, no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán. Pela primeira vez desde 2014, o Betis venceu o clássico contra o Sevilla. Triunfo este que ganha contornos muito mais grandiosos pela maneira épica como se deu a partida, cheia de gols e com o placar de 5 a 3 definido apenas nos instantes finais. Nunca o clube havia feito tantos gols na casa de seus maiores rivais, quebrando uma invencibilidade de 13 meses dos rojiblancos no Nervión.

O sábado já começou tenso o suficiente na Andaluzia. Por conta dos embates entre os ultras dos dois clubes, a polícia local teve trabalho e chegou a realizar 24 detenções antes da partida. De qualquer maneira, esperava-se um grande embate no Ramón Sánchez-Pizjuán, até pelo virtual equilíbrio entre as equipes. Enquanto o Betis viveu um primeiro semestre bastante positivo, as incertezas ao redor do Sevilla abriam o cenário.

E na estreia de Vincenzo Montella no Campeonato Espanhol, o Betis se aproveitou para amassar um adversário desencontrado. Pressionando a saída de bola, os verdiblancos saíram em vantagem aos 22 segundos. Após o desarme no campo ofensivo e a boa trama, Fabián Ruiz acertou chute no canto do goleiro Sergio Rico, arriscando de fora da área. O Sevilla buscou o empate aos 13, em cobrança de falta que Wissam Ben Yedder desviou dentro da área. Contudo, os beticos já voltariam à dianteira aos 21, com Zouhair Feddal também na bola parada, após o cruzamento do capitão Joaquín.

Sem se entregar, o Sevilla saiu ao intervalo com nova igualdade, graças a um gol de cabeça de Simon Kjaer. O segundo tempo, entretanto, ratificaria o triunfo do Betis. O terceiro saiu aos 18, após uma belíssima troca de passes, até que Riza Durmisi completasse o cruzamento no segundo pau. E os verdiblancos aproveitaram o momento no qual os rivais estavam atordoados para fazer o quarto, em contra-ataque arrematado por Sergio León. Os rojiblancos diminuíram aos 23, na terceira bola parada fatal, com Clement Lenglet escorando. Mas o riso final seria mesmo dos beticos, nos acréscimos, quando Cristian Tello roubou uma bola no meio-campo e só parou nas redes.

O ídolo Joaquín, após a partida, exaltou o resultado e tirou uma casquinha dos rivais: “Não é para menos, todos os torcedores do Betis precisam sair para festejar depois de uma vitória na casa deles. Hoje não se pode descansar, quem chegar antes das cinco da manhã em casa vai ser multado. E devemos comemorar mais pela forma como ganhamos. Fomos uma equipe muito valente, de muita verticalidade. A vitória tem um sabor verdiblanco, de imensa alegria, coração quente e mente fria. Isso nos vai impulsionar. Temos muitos dias para celebrar. É preciso dedicar ao beticismo, que desfrutem, porque ganhamos com superioridade”.

O Betis passou os últimos oito clássicos sem vencer o Sevilla. Pior, seu último triunfo havia acontecido pela Liga Europa 2013/14, quando os rivais reverteram o placar no jogo de volta e se classificaram às oitavas de final nos pênaltis, em pleno Benito Villamarín. Já por La Liga, a última vitória havia acontecido em maio de 2012. Desde então, os verdiblancos colecionavam decepções no dérbi.

E as expectativas da torcida são de que uma vitória dessas marque um momento de virada no confronto. Se o poderio do Sevilla é inegável, até pelas conquistas desfrutadas nos últimos anos, os verdiblancos têm potencial para encurtar as distâncias. Em crise, os rojiblancos ocupam o quinto lugar, com 29 pontos, e parecem cada vez mais distantes da briga pela Liga dos Campeões – dois pontos atrás do Real Madrid, que, em compensação, tem dois jogos a menos. Já o Betis se aproxima. Em oitavo, acumula 24 pontos. E alcança uma vitória digna de injetar a esperança de uma campanha melhor que os rivais no Espanhol, algo que aconteceu apenas uma vez ao longo dos últimos 12 anos.