As oscilações das rodadas recentes diminuíram um pouco o brilho da conquista. Até parecia que o Boca Juniors estava empenhado em adiar o título no Campeonato Argentino, entre tropeços e o desânimo na Libertadores. O time de Guillermo Barrios Schelotto, no entanto, adiciona mais uma estrela ao escudo com méritos. Sobretudo, porque se fez praticamente perfeito num início de campanha arrasador, que garantiu a ampla vantagem para que a taça se encaminhasse. Já nesta quarta, ela se consumou em La Plata. Os xeneizes visitaram o Gimnasia e o empate por 2 a 2 já valeu para que a celebração tomasse conta não apenas do Estádio El Bosque, como também de outros cantos da capital, inclusive a Bombonera.

O bicampeonato nacional do Boca Juniors não se explica pelo final, e sim pelo começo. O time venceu os seus oito primeiros jogos e abriu uma vantagem na liderança que não desperdiçaria mais. Até houve uma sequência ruim contra Racing e Rosario Central, em novembro, mas logo os xeneizes retomaram o fôlego e passaram a nadar de braçada. Em fevereiro, a taça parecia questão de tempo. Então, veio a irregularidade que adiava a festa. Mas sem que os principais rivais se aproximassem do ritmo, sobretudo depois de um polêmico empate contra o San Lorenzo, a certeza dos boquenses se mantinha inabalável. As vitórias recentes contra Newell’s e Unión, nas rodadas anteriores, a reiteraram. Até que Pablo Pérez e Wanchope Ábila anotassem os gols que valeram o título, com uma rodada de antecipação.

Cabe ponderar que o título do Boca Juniors teve os seus percalços. Ao longo da campanha, Schelotto precisou lidar com seguidos desfalques custosos. As lesões de Fernando Gago e de Darío Benedetto atrapalharam o embalo dos xeneizes no início. Por mais que a diretoria tenha se empenhado em trazer reforços de peso, como Ábila e Tevez, nem sempre eles corresponderam. Assim, o bicampeonato dependeu de um esforço bem maior do que poderia se esperar. Principalmente pela falta de Benedetto, que sustentava médias de gols altíssimas em 2017, o ataque sofreu mais.

Se como conjunto o Boca tem seus poréns, há algumas peças que fizeram a diferença. Cristian Pavón foi o toque de habilidade durante boa parte dos jogos. Apesar do individualismo exacerbado em alguns momentos, o garoto chamou a responsabilidade nesta reta final. Já na contenção, o ponto de equilíbrio é Wilmar Barrios. Mesmo não sendo o jogador mais comentado, o volante foi fundamental por sua combatividade na cabeça de área. Aliás, formou um útil trio colombiano com Frank Fabra e Edwin Cardona – por mais que o meia tenha alternado fases. Além deles, Paolo Goltz, Lisandro Magallán, Nahitán Nández e Pablo Pérez formaram o restante da espinha dorsal.

A celebração se desatou em El Bosque, mas a grande recepção estava preparada mesmo na Bombonera. As arquibancadas se encheram para exaltar a conquista, independentemente da forma como ela veio. São 33 títulos do Campeonato Argentino aos xeneizes, três nos últimos quatro anos. Há uma clara hegemonia neste período, embora a exigente torcida boquense sempre queira mais. E a cobrança durante os próximos meses se concentrará na obsessão pela Libertadores, onde o clube acumula mais frustrações que alegrias nestes anos recentes. É o que se exige como prova definitiva de força.