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O Botafogo precisa mudar seu comportamento, e não apenas dentro de campo

Foi uma vitória imprescindível. E sofrida. Depois de perder para o Independiente del Valle no Equador, o Botafogo precisava fazer seu dever no Maracanã se não quisesse se complicar na Libertadores. A custo de muito suor, conseguiu. Triunfo magro por 1 a 0, com gol de Ferreyra logo aos três minutos. O suficiente para deixar os alvinegros em uma posição tranquila, na liderança do Grupo 2, aguardando ainda o duelo entre Unión Española e San Lorenzo. Mas não para satisfazer a torcida botafoguense. Ao apito final, ouviam-se vaias dos descontentes com o placar magro diante de um rival teoricamente fraco.

Dá para entender a bronca dos torcedores. O Botafogo fez uma campanha risível no Campeonato Carioca para priorizar a Libertadores, mas está longe de exibir o futebol mais empolgante na competição continental. A equipe se resume praticamente aos predicados de Jorge Wagner. Chovem cruzamentos na área, enquanto o camisa 10 leva perigo em seus chutes. Nesta terça, foram duas bolas no travessão, que poderiam ter trazido um alívio bem maior aos alvinegros. Mas, como não entraram, quem saiu como herói mesmo foi Jefferson, responsável por boas defesas. Não à toa, os questionamentos ao trabalho de Eduardo Hungaro são crescentes.

Só que a torcida também tem sua parte de culpa. Sim, tem. O ditado pode até afirmar que ‘existem coisas que só acontecem com o Botafogo’. Mas uma parcela dos alvinegros que frequentou o Maracanã nesta terça não parece tão dedicada assim em reverter a máxima. O horário pode ser ruim, mas ter 23 mil pagantes é muito pouco para um clube que pode usar o mando de campo como um trunfo – e o que quase sempre acaba sendo diferencial na Libertadores, e foi para o Botafogo contra o Deportivo Quito e o San Lorenzo. Além disso, a falta de apoio e as vaias atrapalham ainda mais uma equipe limitada por si só, com uma pressão sobre os anfitriões que deveria ser toda direcionada aos visitantes.

Criar um ambiente intimidador, que pese contra os adversários, é um artifício importante na Libertadores. E o melhor exemplo vem dos atuais campeões: o Atlético Mineiro contava com um bom time, mas dificilmente seria campeão se não fosse a forma como se impunha em Belo Horizonte. Se o Botafogo quiser seguir os passos dos atleticanos e conquistar o título inédito, precisará melhorar muito. Na forma como a equipe se porta em campo. Mas também no comportamento ao redor dele.