Pode ter sido uma virada heroica do Bayern de Munique, que superou o Werder Bremen por 5 a 2 após ficar duas vezes atrás no placar. Também pode ter sido uma atuação maravilhosa de Claudio Pizarro, autor de dois gols e uma assistência. Ou mesmo mais uma vitória na conta dos campeões da Bundesliga, que chegam aos 84 pontos. Tudo isso é o de menos. Um resultado que tem efeito para as estatísticas e, vá lá, para o moral dos bávaros. Porém, o que precisa ser olhado com atenção mesmo para os dois gols que os anfitriões tomaram na Allianz Arena: outra vez, dois gols de contra-ataque.

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Definitivamente, os contragolpes são o ponto fraco do Bayern na tentativa de conquistar o bicampeonato da Liga dos Campeões. E isso tem se provado repetidamente. Na derrota para o Borussia Dortmund, foi nas arrancadas de Marco Reus que os aurinegros massacraram. Uma fórmula repetida pelo Real Madrid no jogo de ida das semifinais da Champions, quando um contra-ataque decidiu a partida e poderia até ter rendido mais gols aos merengues. Neste sábado, outra vez: Theodor Gebre Selassie e Aaron Hunt anotaram seus gols em subidas rápidas ao ataque, pegando a zaga do Bayern desprevenida.

É natural que os contra-ataques sejam o ponto fraco de um time que se posta no campo de ataque, com muito toque de bola e pressão adiantada na marcação dos adversários. A questão é que o Bayern está sendo vulnerável em excesso. Primeiro, pela posição de seus laterais, que estão com dificuldades claras de recomposição. Depois, pela lentidão de Jérôme Boateng e Dante no miolo de zaga. Tudo isso resulta em uma desorganização evidente. E, para deixar os bávaros ainda mais preocupados, Manuel Neuer não parece tão confiável quanto em outros tempos, com vacilos frequentes – hoje mesmo foram dois, que quase deixaram os Verdes abrirem uma vantagem ainda maior no placar.

Há pouco tempo para a solução. Mais precisamente, três dias. Talvez seja mais cauteloso Guardiola escalar um volante a mais, para cobrir os espaços, ou repensar a forma como o apoio defensivo aos laterais é feito pelos pontas. Contra o Werder, o treinador utilizou Schweinsteiger um pouco mais recuado no meio-campo, que era protegido por Javi Martínez, com Lahm de volta à lateral. Não foi muito eficiente.

A carência está evidente, e Ancelotti está mais do que ciente disso. Antes do jogo no Bernabéu, o técnico do Real Madrid chegou a ligar para Arrigo Sacchi, lendário técnico do Milan. “Veja bem a partida contra o Dortmund. Quando uma equipe perde assim, é porque algo não funciona”, aconselhou aquele que Ancelotti chama de ‘mestre’. Lição dada, lição aprendida. Já durante a transmissão do primeiro duelo entre Real e Bayern, Sacchi, trabalhando como comentarista na televisão, analisou: “O Bayern sabe como fazer, mas o fez com a metade da velocidade necessária”. Nas últimas semanas, foram três jogos em que o comentário do italiano pôde ser percebido com facilidade.

A solução, no entanto, talvez seja mais difícil para Guardiola encontrar do que pareça. E em uma semana pessoalmente atribulada ao treinador, visivelmente abatido no banco de reservas pela perda do amigo Tito Vilanova. Só dará para saber se o calcanhar de Aquiles estará mesmo curado na próxima terça, quando os bávaros voltarão a ficar expostos à rapidez de Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e Ángel Di María na Allianz Arena. Um golpe nele poderá fazer o Bayern perder a guerra.