O Campeonato Francês tem os seus fãs, como todos os outros, mas vamos combinar que não é o mais empolgante da Europa. O caminhão de dinheiro que abastece Paris Saint-Germain e Monaco levou craques como Ibrahimovic, Cavani e Falcao para a Ligue 1, mas ainda não comprou competitividade. O PSG ganhou as últimas duas edições com um pé nas costas. Com tudo isso, o novo técnico do Olympique Marseille é mais do que bem vindo para acrescentar uma atração ao torneio.

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Marcelo Bielsa estava sem clube desde que deixou o Athletic Bilbao, ano passado. Chegou a negociar com o Santos, foi especulado no Barcelona e assustou o Palmeiras com a sua pedida salarial. Teve um ano sabático bem movimentado. E agora assume o Marseille depois de uma queda acentuada de rendimento. O clube foi vice-campeão em 2012/13 – bem longe do PSG, é verdade – e está atualmente na sexta posição, com chances bem remota de vaga na Liga Europa. Nesse período, demitiu o treinador Elie Baup e vem sendo comandado por José Anigo.

O Olympique tem o dinheiro e os jogadores para no mínimo desafiar a dupla milionária. Segundo o site Transfermarkt, especialista em transferências, o elenco do clube é o terceiro mais valioso da Ligue 1, atrás, obviamente, de PSG e Monaco. Steve Mandanda, André Ayew e André-Pierre Gignac, por exemplo, já provaram suas qualidades em terras francesa. Os ingredientes estão ali. Talvez falte alguém que os cozinhe da melhor forma.

Bielsa, porém, tem uma técnica culinária bem peculiar. Gosta de montar times ofensivos, fluídos. Tem no 3-4-3 o seu esquema favorito, e nada disso representa consistência para uma equipe, especialmente nos primeiros meses de trabalho. Por isso, casa melhor com equipes médias, como o Athletic Bilbao, nas quais a pressão é menor que em um Barcelona. Tem costas grandes o suficiente para aguentar eventuais resultados ruins no começo da sua caminhada no Marseille.

O relacionamento com esse clube francês tem bons indícios de que pode dar certo. O OM ficou ganhou notoriedade com um time ofensivo nos anos 1990, muito a cara de Bielsa. Além disso, tem uma forte ligação regional com a região de Provença, que identifica no clube uma bandeira nacional, mais ou menos como os bascos com o Bilbao. E Bielsa soube usar muito bem essa relação quando esteve na Espanha.

Mesmo se der tudo errado, Bielsa é uma excelente aquisição para a Ligue 1. O seu tamanho como treinador, a filosofia de jogo que tenta implementar e a sua própria personalidade podem atrair muitos torcedores que não são exatamente fãs de futebol francês. E vai que eles acabam se apaixonando?

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