Sandro Rosell sucedeu Joan Laporta na presidência do Barcelona (Foto: AP)

O cerco apertou, e Sandro Rosell fez que nem o amigo Ricardo Teixeira: fugiu

Os últimos anos demonstraram que os dirigentes têm um padrão de comportamento quando as coisas apertam, e Sandro Rosell aprendeu direitinho com o amigo Ricardo Teixeira. Nesta quinta-feira, renunciou à presidência do Barcelona em meio à investigação que a Justiça espanhola conduz sobre a negociação que levou Neymar para a Espanha.

Na última quarta, o juíz Pablo Ruz aceitou um processo movido por um membro do Barcelona, Jordi Cases, que alega que a transferência custou € 95 milhões, € 38 milhões a mais que o divulgado, e pediu para ver os documentos do negócio. Rosell disse que ficaria “contente” de explicar à corte os contratos, mas parece que deseja fazer isso sem ser o presidente do Barcelona.

Da mesma forma, Ricardo Teixeira abandonou a CBF quando o cerco começou a fechar por causa das acusações de desvio de dinheiro do amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008, do qual Rosell também é suspeito, e de recebimento de propina da ISL, que foi comprovado por uma corte suíça. O ex-genro de Teixeira, João Havelange deixou os seus cargos na Fifa e no Comitê Olímpico Internacional também por causa do caso de suborno da agência de marketing que faliu em 2001.

O importante para eles é preservar o resto da imagem que construíram como alguns dos mais influentes dirigentes esportivos da última década – no caso de Havelange, do último século. Mesmo que fugir da raia seja praticamente uma admissão de culpa, eles não querem passar pela humilhação de serem disciplinados ou sancionados pelas entidades das quais eram membros. Também esperam que sair de evidência diminua a volúpia por punições e eventualmente leve os escândalos ao esquecimento.

Dois dos contratos conhecidos da negociação de Neymar com o Santos são por dois amistosos realizados ano passado e preferência por jogadores da base, mas, como indica a renúncia de Rosell, a Justiça ainda vai achar sujeira debaixo do tapete do Barcelona. O Santos pode acabar descobrindo que ainda tem valores a receber, como o blog do PVC noticiou, ou ser envolvido na confusão.

Em campo, pouca coisa deve mudar, embora o ex-presidente, que conheceu Tata Martino quando era representante da Nike na América do Sul, tenha sido importante na contratação do treinador argentino. Há também rumores de ciúmes nos vestiários por causa dos ganhos de Neymar, mas é tão difícil acreditar nesses boatos quanto na palavra de Sandro Rosell de que tudo correu da forma como ele contou.