Jogadores do Chelsea comemoram a vitória em Anfield contra o Liverpool (AP Photo/Jon Super)

O Chelsea controlou o Liverpool na marra e na mente

A Premier League é um torneio por pontos corridos. No qual, portanto, a regularidade é essencial. Ainda assim, em uma temporada tão disputada quanto esta, os confrontos diretos se transformam em verdadeiras finais. E nenhum outro clube que almeja o título tem mais sangue nos olhos do que o Chelsea. O time de José Mourinho sabe o que precisa fazer para ganhar um jogo decisivo, por mais que dê bobeira contra os pequenos. Ataca quando precisa atacar, se defender como poucos times no mundo. Planos simples para conquistar um resultado essencial sobre o Liverpool. Sem se intimidar com o vermelho pulsante das arquibancadas de Anfield, os Blues venceram por 2 a 0.

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Foi uma vitória do time, é claro. Porém, com grande participação de José Mourinho. Os jogadores dos Blues seguiram à risca a tática traçada por seu técnico. Fecharam-se como uma fortaleza em seu campo, atiraram flechas para contra-atacar. Duas delas certeiras, se aproveitando do ímpeto dos Reds. O melhor ataque da Premier League foi anulado pela melhor defesa, verdadeiramente quem ditou os rumos do jogo, embora o controle da bola ficasse todo do outro lado – os Reds tiveram 73% de posse.

Mourinho tira a bola de Gerrard em Liverpool 0x2 Chelsea

A formação do Liverpool demonstrava um pouco de cautela em relação aos visitantes. Sem Jordan Henderson por suspensão e com Daniel Sturridge voltando de lesão, Brendan Rodgers preferiu povoar seu meio-campo com Joe Allen, Steven Gerrard e Lucas Leiva. Já a intenção de José Mourinho estava clara desde o primeiro momento. E era até natural, com os desfalques na linha defensiva. O time vinha com três cabeças de área, além de Mohamed Salah e André Schürrle comprometidos com a defesa, barrando as subidas dos laterais dos Reds. Demba Ba era o único que não se preocupava, isolado no ataque.

E os primeiros minutos foram emblemáticos para mostrar como seria a partida. Desde então o Chelsea já parecia interessado em gastar o tempo, em encurtar 90 minutos ao seu próprio relógio. Não tinha pressa nas jogadas, mesmo sem ter a posse de bola. Enquanto isso, a sede era do Liverpool. Trocava passes e tentava encontrar espaços, algo muito difícil diante do paredão montado pelos Blues ao redor de sua área. Para piorar, os Reds ainda estavam sem uma de suas principais armas: os ataques em velocidade. Os londrinos saiam pouco para o ataque e, quando o faziam, recompunham com uma rapidez impressionante.

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Ao Liverpool, restava as bolas paradas e os chutes de longe. Mesmo Luis Suárez, se movimentando muito, era inútil contra a concentração populacional do Chelsea em sua defesa. Uma das poucas chances no primeiro tempo foi bloqueada quase em cima da linha por Ashley Cole. Claramente o Chelsea buscava a famosa bola vadia. E a encontraram nos acréscimos do primeiro tempo, em um infeliz erro do capitão Gerrard, que abriu o caminho para Demba Ba inaugurar o marcador.

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O segundo tempo ficava ainda mais ao gosto de José Mourinho e do Chelsea. Com o placar ao seu favor, o time poderia se defender de maneira ainda mais ferrenha e apostava em um ou outro contragolpe, que porventura pudesse lhe dar ainda mais tranquilidade. O Liverpool, por sua vez, intensificava suas ações no ataque. Lucas Leiva saiu para entrar Daniel Sturridge, dar mais presença física ao ataque. Mas a agilidade dos Reds era impossível de se aplicar em tão pouco espaço dado pelo Chelsea, pela atuação irrepreensível de seus defensores.

O tempo passava e os Reds pouco ameaçavam. Mark Schwarzer era pouco exigido e, quando tinha que trabalhar, o fazia muito bem. Realizou grande defesa em chute de fora de Joe Allen, negando o gol dos anfitriões. Rodgers foi com tudo ao apostar em Iago Aspas, o Chelsea se fechava ainda mais com Gary Cahill. Os minutos escorriam inúteis pelas mãos do Liverpool, sufocantes, desesperadores. Os Blues faziam o que tinham planejado para triunfarem. E, nos acréscimos, o golpe fatal. O contra-ataque foi dado de presente aos londrinos, que deram o golpe fatal com Willian.

Apesar da derrota, o Liverpool permanece na liderança da Premier League, com dois pontos a mais que o Chelsea. Mas não depende mais só de suas próprias forças. Com um jogo a menos, o Manchester City pode ultrapassá-lo se vencer os três que lhe restam – já considerando a vitória sobre o Crystal Palace. Deixa a Premier League mais aberta do que nunca. E o sonho de três cidades em conquistar a Inglaterra, muito mais vivo.

Formações iniciais

Liverpool x Chelsea

Destaque do jogo

Tomas Kalas e Branislav Ivanovic. Para uma dupla de zaga que nunca atuou junta, sendo que o tcheco sequer tinha entrado em campo pela Premier League, foi uma atuação maiúscula. Enjaularam Luis Suárez e deram pouquíssimas brechas ao ataque do Liverpool. As únicas, foram muito bem defendidas por Schwarzer, salvador em dois chutes dos Reds.

Momento chave

O escorregão de Steven Gerrard. Um enorme pecado do capitão do Liverpool, por toda a sua história no clube e por tudo o que o título da Premier League representa para ele. Deixou que o Chelsea abrisse o placar e definiu o revés de sua equipe.

Os gols

46’/1T – GOL DO CHELSEA! Gerrard recebe bola de Sakho, não domina e escorrega ao tentar se recuperar. Deixa o caminho livre para Demba Ba, livre de qualquer marcador, partir em velocidade e tocar na saída de Mignolet.

46’/2T – GOL DO CHELSEA! O Liverpool rodava a bola, mas a perdeu e deu seu campo para Willian e Fernando Torres. A dupla partiu livre e, na frente de Mignolet, o espanhol deu o presente para o brasileiro matar o jogo.

Curiosidade

O Chelsea conquistou 16 dos 18 pontos disputados com os outros três times do Top Four. O segundo que mais conseguiu foi o segundo que mais conquistou, com sete.

Ficha técnica

LIVERPOOL 0×2 CHELSEA

Liverpool
Simon Mignolet, Glen Johnson, Martin Skrtel, Mamadou Sakho e Jon Flanagan (Iago Aspas, 36’/2T); Lucas Leiva (Raheem Sterling, 13’/2T); Raheem Sterling, Steven Gerrard, Joe Allen e Philippe Coutinho; Luis Suárez. Técnico: Brendan Rodgers.

Chelsea
Mark Schwarzer, Cezar Azpilicueta, Branislav Ivanovic, Tomas Kalas e Ashley Cole; Obi Mikel, Nemanja Matic e Frank Lampard; Mohamed Salah (Willian, 15’/2T), Demba Ba (Fernando Torres, 39’/2T)  e André Schürrle (Gary Cahill, 32’/2T). Técnico: José Mourinho.

Local: Anfield, em Liverpool
Árbitro: Martin Atkinson
Gols: Demba Ba, 46’/1T; Willian, 46’/2T
Cartões amarelos: Mohamed Salah, Frank Lampard, Ashley Cole e Fernando Torres (Chelsea)
Cartões vermelhos: nenhum