Liverpool e Everton passam longe dos conceitos triviais de uma rivalidade no futebol. Os vizinhos disputam a hegemonia em Merseyside, mas não sustentam uma relação de inimigos. Pelo contrário. Nos 25 anos de Hillsborough, os próprios torcedores dos Reds admitiram que as homenagens mais bonitas foram feitas por seus rivais. E, neste sábado, depositaram todas as esperanças nos Toffees para manter vivas as suas chances de conquistar a Premier League. Não deu. Apesar do esforço visível do Everton, por si mesmo e pelo Liverpool, o time foi derrotado por 3 a 2 em Goodison Park. O Manchester City está mais perto do título.

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Não foi a atuação mais brilhante dos Citizens. Ainda assim, diante de todos os percalços, uma vitória heroica. Primeiro, pela virada que o time conquistou no placar. Ross Barkley abriu vantagem com um golaço, mas o gol de Sergio Agüero e os dois de Edin Dzeko permitiram o triunfo. Depois, pelas perdas sensíveis da equipe, com as lesões de Agüero, Yaya Touré e Dzeko – que se manteve em campo, já que as três substituições estavam feitas. E também pela pressão que o City tomou na meia hora final, com o gol de Romelu Lukaku para descontar e várias chances perdidas. Joe Hart, com duas ótimas defesas, foi o herói.

Restando duas rodadas para o fim de sua campanha, o Manchester City só depende de si para ficar com a taça. Disputa duas partidas no Estádio Etihad, contra West Ham e Aston Villa. Com nove gols de vantagem para o Liverpool no saldo, duas vitórias devem ser suficientes para a festa. Preocupação apenas sobre a situação física de seus três melhores jogadores nesta reta final, ainda que haja uma boa notícia com a volta de David Silva. Desta vez, os Citizens não querem sofrer tanto quanto naquela última rodada contra o Queens Park Rangers.

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Já o Everton não tem mais pretensões na Premier League. Não pode mais alcançar o Arsenal na quarta colocação e nem perder o quinto lugar, o que lhe dá um lugar na Liga Europa da próxima temporada. Não é o máximo com o que os Toffees sonharam, mas já é um ótimo feito para o primeiro ano de trabalho de Roberto Martínez, que tende a crescer. A queda de nível na reta final foi decisiva, ainda mais em um elenco relativamente curto. Ainda assim, fica a expectativa sobre a evolução do time, sobretudo de Ross Barkley, uma das maiores revelações da Premier League nos últimos anos.

Ao Liverpool, por fim, resta fazer sua parte e torcer. Nesta segunda, os Reds têm um jogo duro contra o Crystal Palace, em Londres. Não podem se abalar pela falha contra o Chelsea na última rodada. A quem já esperou 24 anos para ser campeão novamente, não custa manter o sonho por mais duas semanas, ainda que ele já pareça distante.