O Manchester City era líder do Campeonato Inglês – e ainda é. Estava com o título na alça de mira – e ainda está. Sonhava garanti-lo com uma vitória no clássico contra o Manchester United, nesta 33ª rodada. Precisava garantir, após a dura derrota para o Liverpool na Liga dos Campeões. E parecia ter facilidades para realizar tal sonho, com atuação inquestionável e o 2 a 0 no primeiro tempo. Só que o United mostrou porque é grande, e porque clássicos entram no inconsciente coletivo dos torcedores: com atuação precisa no segundo tempo, virou o jogo para 3 a 2, e colocou na virtual conquista dos arquirrivais um travo amargo.

Desde o começo do jogo, o Manchester City teve o domínio das ações. Mas criava poucas chances reais de gol. Apenas havia coisas incipientes. Aos cinco minutos, David Silva veio pela esquerda, cruzou, e Ashley Young escorregou ao tentar o desarme na área. Ainda assim, afastou a bola – com a mão, segundo queixas dos jogadores dos Citizens. 12 minutos, e mais uma tentativa: Danilo cruzou rasteiro, Ander Herrera interceptou, a bola subiu, e David de Gea a pegou. Aos 20, enfim os ataques ficaram mais concretos: David Silva recebeu a bola, após desarme de Ilkay Gündogan em Paul Pogba. O espanhol andou um pouco até arriscar, mas seu chute mandou a esférica por cima. Silva voltou a participar do ataque aos 22, quando passou em profundidade. Bernardo Silva entrou na pequena área, e já escorregando, tentou um toque. Mas ele saiu fraco, e De Gea rebateu sem problemas.

Ainda assim, a superioridade dos mandantes era clara no clássico. E um gol cheio de simbolismo abriu o caminho da situação tão sonhada pelos torcedores no Etihad Stadium. Aos 26 minutos, Leroy Sané cobrou escanteio, e Vincent Kompany subiu sozinho na área, cabeceando fortemente, para estufar as redes. O remanescente do título de 2012 abria o placar do mesmo jeito que fizera no clássico decisivo de há seis anos: de cabeça.

Estava definido o ritmo da partida: a defesa do United correndo atrás do ataque dos Citizens. Que se valeu, novamente, da rápida troca de passes para fazer 2 a 0: após cobrança errada de tiro de meta, a bola parou com Ilkay Gündogan. Ele passou a Raheem Sterling, que devolveu. Com um bonito drible, o alemão se livrou da marcação de Nemanja Matic e completou para as redes.

E o placar poderia ter se convertido em goleada já na etapa inicial, não fossem os sucessivos gols perdidos por Sterling. Aos 33 minutos, ele ficou com o gol à sua frente, sozinho na área após lançamento de Silva em profundidade. Todavia, o atacante errou quando não podia: mesmo acossado por Antonio Valencia, tinha condição de fazer melhor do que o chute por cima do gol, apenas com De Gea à frente. A jogada aos 36 minutos foi semelhante: bola veio rasteira dos pés de Silva, Sterling ficou com ela na área, mas chutou por cima. Aos 41 minutos, o cruzamento foi de Leroy Sané. Sterling dominou na área, mas seu arremate fraco foi para as mãos de David de Gea.

Já aos quatro minutos do segundo tempo, Paul Pogba quis começar a mostrar que o visto nos 45 minutos iniciais não era definitivo, que o United não era tão frágil. E num chute de média distância, o francês fez Ederson trabalhar pela primeira vez no jogo. Pouco depois, Gündogan teve mais uma chance: recebeu de Sterling, e bateu na trave.

Todavia, os Red Devils conseguiram logo o que haviam passado longe de obter no primeiro tempo: a pressão e o gol. Aos oito minutos, Ander Herrera cruzou da direita, Nemanja Matic ajeitou no meio da área, e Pogba conseguiu chutar forte, no ângulo direito de Ederson, para diminuir a vantagem do City.

De certa forma, era inesperado. Como no primeiro tempo, o time que tomou o gol se abateu – e o time que fez o gol aproveitou isso. Aos 10 minutos, dois após marcar o primeiro, Pogba ganhou todas as razões para o seu “dab” na comemoração: Alexis Sánchez cruzou da esquerda, e o camisa 6 do United subiu sozinho na área, cabeceando no canto direito. Era o 2 a 2 que parecera impensável no primeiro tempo.

O jogo estava mudado. Aos 13 minutos, David Silva ainda buscou o gol, em chute cruzado na pequena área, para fora. Mas foi só. O United se agigantara, muito mais veloz, ofensivo, preciso. E comprovou tudo isso com a virada, aos 24 minutos: da esquerda, Alexis Sánchez cobrou falta. E Chris Smalling entrou sozinho na área, escorando para confirmar o 3 a 2.

Entraram Kevin de Bruyne, Gabriel Jesus e Sergio Agüero em campo. Tudo para que o City tentasse evitar a decepção. As jogadas ríspidas aumentaram – como aos 36 minutos, em dura falta de Pogba em Armero. As chances vieram – como em cabeceio de Agüero no qual De Gea fez o milagre habitual, aos 44. E o time azul não conseguiu evitar a segunda decepção em três dias. Claro, o título inglês segue na alça de mira. Mas será difícil tirar o sorriso aliviado e gostoso que os arquirrivais vermelhos de Manchester terão no rosto, por muito tempo.