A 24ª rodada do Campeonato Brasileiro já era uma daquelas sobre as quais se diz, galhofeiramente, que “ninguém quer tirar o título do Corinthians”. Primeiro, no duelo entre dois times bem mais preocupados com as respectivas decisões na Copa Libertadores da América, o Santos perdeu para o Botafogo, no sábado. Depois, o Grêmio cedeu o 1 a 0 à Chapecoense, em plena Arena do Grêmio – que também espera pela volta contra os botafoguenses, nas quartas de final do torneio sul-americano. Só faltava o Corinthians “se ajudar” para abrir novamente a vantagem que parecia em vias de ser perdida. Ajudou-se, fazendo 1 a 0 no Vasco e voltando aos dez pontos de distância e à rota da tranquilidade em busca do sétimo título. Mas terá sobre si algo que não tivera nesta campanha: o mérito encoberto pelas decisões de arbitragem, pela clara irregularidade no gol de Jô, que tocou com o braço para o gol da vitória.

Falando friamente, pelo que se via em campo até o lance do gol, o Corinthians fazia por merecer a vantagem. Não no primeiro tempo: neste, a equipe da casa até tentava fazer jogadas – e mostrava mais velocidade, com a volta de Guilherme Arana -, mas parava num Vasco bem postado defensivamente.

Além do mais, o time de São Januário tentava chegar ao ataque constantemente – como num arremate de Nenê, aos 26 minutos, espalmado por Cássio, ou no perigoso chute de Ramon, aos 32, também espalmado pelo goleiro corintiano. Apenas havia demasiada lentidão na transição vascaína rumo ao ataque. E os momentos de perigo corintiano também eram agudos. Por exemplo, aos 44, quando Rodriguinho cabeceou por cima da meta de Martín Silva. Sem contar a queda de Jô na área, após disputa com Breno aos 39, causando pedidos de pênalti ignorados pelo juiz

Já no segundo tempo, uma mudança tática começou a acelerar o Corinthians: Romero foi para a direita, com Jadson ficando na esquerda – o que liberava ainda mais Guilherme Arana para seus avanços. Já bastou para a primeira grande possibilidade dos mandantes na Arena Corinthians/Itaquerão, aos seis minutos, com Arana enfiando a bola para Jô cruzar, Rodriguinho escorar e Martín Silva salvar o Vasco, com grande defesa. Mais dois minutos, e após tabelar com Rodriguinho, Fagner cruzou para Jadson perder boa chance, mandando a bola muito por cima. Aos 14, Maycon recebeu bola rolada do camisa 10 corintiano, mas também perdeu. Houve a chance de Fagner, em chute de longe rente à trave aos 24; a tentativa de Marquinhos Gabriel no minuto seguinte…

E, enfim, o gol que será discutido nos próximos dias, em que Marquinhos Gabriel cruzou da esquerda para Jô tocar com o ombro, ou braço, ou mão (todas as opções serão citadas por quem comentar o lance)… o fato é que o gol corintiano foi irregular. O que encobrirá o fato de que as derrotas de Santos e Grêmio já eram “mãozinhas” dadas ao Corinthians, que manteria uma boa vantagem com ou sem gol. Manteve com o gol, ainda que injusto, já que o time corintiano tinha condições de vencer sem mácula.