A dimensão da perda de Marco Reus é incalculável para a Alemanha. O atacante chegava ao Brasil só como o jogador do Nationalelf em melhor fase, mas, em uma Copa com vários jogadores em condições duvidosas, entre pelo menos os cinco melhores do mundo nos últimos meses. O desempenho desde março, quando retornara da última lesão, era fantástico: 15 partidas, com dez gols e cinco assistências. A contusão no tornozelo é uma enorme lástima diante de tudo o que prometia fazer em seu primeiro Mundial. Talvez o alemão mais apto a chamar a responsabilidade nos momentos decisivos para quebrar o jejum de títulos que tanto incomoda a seleção.

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Sem Reus, a pecha de favorita da Alemanha diminui um pouquinho. Ainda assim, dá para crer que a reposição pode ser bem feita. Tudo bem que a Armênia não é dos melhores parâmetros, mas a entrada de Lukas Podolski no lugar do jogador do Borussia Dortmund foi o melhor alento que a torcida alemã poderia ter na partida. O atacante do Arsenal simplesmente acabou com o jogo, marcando um gol e dando três assistências na vitória por 6 a 1. Saiu muito bem do banco, assim como Mario Götze e Mesut Özil. Uma bela resposta a Joachim Löw de alguns jogadores que serão úteis nas várias configurações que o Nationalelf pode ter do meio para frente, sem perder a sua qualidade.

Podolski não vinha tão embalado quanto Reus, mas passava por uma boa fase pelo Arsenal. Possui experiência em Mundiais, mesmo que ainda deixe dúvidas sobre sua real capacidade em grandes jogos. De qualquer forma, dentro das possibilidades, o lesionado não poderia ter um substituto melhor. E não ele quem traz conforto à Alemanha nesse último amistoso antes da estreia da Copa, contra Portugal. Roman Weidenfeller não foi tão exigido, mas é uma opção segura para substituir Manuel Neuer se preciso, principalmente por tudo o que costuma jogar em partidas importantes pelo Dortmund – nas quais parece sempre estar em seu ápice. Se o titular não se recuperar, a meta do Nationalelf estará em boas mãos.
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Nas dúvidas entre laterais e volantes, Löw achou uma solução defensivista, mas interessante: Jérôme Boateng voltou à lateral direita, enquanto Benedikt Höwedes passou à esquerda, com miolo composto por Per Mertesacker e Mats Hummels. A Alemanha perde em apoio pelas laterais e fica mais lenta, é claro, mas passou menos apuros do que no amistoso contra Camarões. Uma maneira interessante de deixar um pouco mais livres os talentos à frente, sem sobrecarregar tanto os volantes – o que talvez fosse a maior questão, considerando que a maioria deles não chegava nas melhores condições. A própria escolha de Shkodran Mustafi como substituto de Reus, reforçando a quantidade de defensores, dá a impressão de que esta opção na linha de zaga possa se seguir.

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Uma maneira de não sobrecarregar o inexperiente (mas bom) Erik Durm e liberar Phillip Lahm para o meio-campo sem muitos lamentos. Aliás, com as dúvidas sobre o físico de Sami Khedira e Bastian Schweinsteiger, além da perda de Lars Bender, torna o deslocamento do capitão interessante. Não é o ideal, claro, diante de tudo o que ele oferece na lateral, mas tem bastante lógica diante da escalação da defesa na goleada sobre a Armênia, assim como depois da declaração do próprio Lahm, dizendo que não jogaria na lateral esquerda. Questão maior será quem vai acompanhá-lo.

Kroos começou o jogo mais à frente contra os armenos, com Khedira de volante. Uma variação entre o 4-2-3-1 e 4-3-3 que pode até ser interessante ao Nationalelf, dando mais verticalidade ao jogo. Mas o meio-campista do Bayern de Munique passou a jogar mais recuado no segundo tempo, função que desempenha muito bem. Com tantas interrogações com os problemas físicos dos outros jogadores do setor, pode dar carta branca a Mesut Özil ou Mario Götze se encarregarem da armação, como meias centrais. Ainda que a dupla não venha demonstrando o poder de decisão que se espera deles, limitá-los na reserva é uma temeridade, considerado o talento que têm. Se acordarem para a Copa do Mundo, são ótimos reforços.

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Por fim, o ataque iniciou a partida em uma formação que, na mera opinião desse escriba, parecia a mais ideal para explorar o vigor ofensivo que Löw tem à disposição: Thomas Müller como referência, acompanhado por Marco Reus (agora, necessariamente substituído por Podolski) na ponta esquerda e Schürrle na direita. O atacante do Chelsea, aliás, surge como uma boa promessa à Copa do Mundo, pelas várias qualidades que pode oferecer à equipe. De qualquer forma, não dá para menosprezar a entrada de Miroslav Klose no segundo tempo. O centroavante permanece em xeque fisicamente, mas parece afiado ao menos para tentar perseguir Ronaldo, como uma opção de variação, dando presença física ao ataque. O 69º gol pela seleção, superando Gerd Müller, só mostra sua fome por recordes.

A perda de Reus ainda dói, mas a última exibição da Alemanha, independente da força do adversário, serviu para renovar a confiança de uma torcida que ficou cética pelas últimas exibições do time. Afinal, não é sempre que uma equipe demonstra uma voracidade tão grande em um amistoso preparatório, com cinco gols anotados em apenas 17 minutos. Sobretudo, pelas variações e opções que Löw demonstrou ter. Talvez o Nationalelf não seja tão favorito assim quanto alguns pintem. Mas deu sinais de que pode crescer nas sete partidas que se seguem, o suficiente para recuperar a taça do mundo depois de 24 anos. Os problemas são muitos, mas o talento também é enorme.