Pênaltis sempre carregam uma carga emocional muito grande. Quando se trata de uma seleção com tantas glórias como a Argentina, mas ao mesmo tempo com o peso de 23 anos de fila sem títulos, tudo isso vira um drama ainda maior. A Argentina esperava poder colocar fim a esse tempo de espera neste domingo. Não conseguiu. Um empate por 0 a 0 em Nova Jersey, nos Estados Unidos, entre Argentina e Chile levou a final de mais uma competição continental para prorrogação e depois pênaltis. E foi lá, na marca de 11 metros, na marca fatal, que a Argentina viu o seu destino ser traçado, mais uma vez, com linhas tristes para a sua torcida.

Foram os chilenos que escreveram, em suas páginas da história, as linhas felizes da conquista. Um ano depois da Copa América de 2015, os pênaltis novamente deram a taça ao Chile. E com o cruel destino de Messi desperdiçando um dos pênaltis. Diante de um público de 82.026 pessoas, o maior público de futebol em Nova Jersey na história.

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O primeiro tempo foi brigado. Literalmente, inclusive. Muita discussão, chegadas duras, faltas fortes. Antes de tudo isso, porém, tivemos uma cena que é falha na Matrix: um déjà vu. Higuaín recebeu um presente de Medel, que passou a bola para trás. O atacante argentino teve, mais uma vez, uma chance em uma final. Como foi em 2014, na final da Copa. Como em 2015, na final da Copa América (embora esta ele possa dividir com Lavezzi, péssimo passe). Em 2016, bom, Higuaín carregou a bola, finalizou mal e mandou para fora.

Depois disso, o que vimos como grande destaque do primeiro tempo foi o árbitro. O brasileiro Héber Roberto Lopes infelizmente apareceu mais do que devia. Primeiro, um lance polêmico com a expulsão de Marcelo Díaz. O volante já tinha amarelo quando fez uma falta em Lionel Messi, que partia com a bola em progressão. Lance discutível. Héber deu o amarelo. Foi o segundo. Expulsou o chileno. Eram 27 minutos do primeiro tempo. O jogo, claro, seria influenciado por isso.

Os dois times, que já estavam bastante exaltados em campo, ficaram ainda mais quentes. Mascherano e Vidal se desentenderam, receberam amarelos. Depois, Messi caiu na área, em um lance que não foi pênalti. Os chilenos cercaram o árbitro. Héber deu amarelo.

Banega e Messi na final da Copa América Centenário (AP Photo/Julio Cortez)

Banega e Messi na final da Copa América Centenário (AP Photo/Julio Cortez)

Veio, então, aquele lance que foi o mais polêmico do primeiro tempo. Rojo entrou forte em Vidal, dividindo a bola e o jogador. O argentino ficou caído, Aránguiz foi para cima do lateral adversário. Héber mostrou o cartão vermelho. Para Rojo, que estava caído. Por isso, foi uma confusão saber quem é que, na verdade, recebeu o cartão. No fim do primeiro tempo, os dois times foram reclamar muito com o árbitro. Um péssimo sinal.

O segundo tempo teve bem menos polêmicas. Na verdade, quase nenhuma em relação à arbitragem. Só que o jogo não melhorou. A Argentina mostrava muita desorganização em campo. Messi, por várias vezes, tentava resolver as coisas correndo com a bola. Criou até algumas chances, uma delas, por exemplo, ao abrir para Agüero finalizar. O companheiro mandou para fora.

Se no primeiro tempo a bola era mais do Chile, no segundo foi mais da Argentina. O Chile quase não ameaçou. Isso tem a ver com as boas atuações dos jogadores de defesa argentinos, mas com destaque para Javier Mascherano. Depois da expulsão de Rojo, ele foi deslocado para a zaga. Foi primoroso. Atuação impecável do camisa 14.

O jogo não saiu do zero, então foi necessária prorrogação. No primeiro tempo, duas ótimas chances, uma para cada lado. Primeiro, Vargas, que recebeu livre um cruzamento e cabeceou fraco, em cima do goleiro Romero. Depois, em cobrança de falta de Messi, Agüero colocou no ângulo e Claudio Bravo fez excelente defesa.

A prorrogação teve a Argentina com mais vontade de vencer. Mais vontade, mas não muito mais. Os pênaltis é que definiriam, mais uma vez, o destino da taça da Copa América. E foi cruel. Porque Vidal, um dos melhores em campo, abriu as cobranças batendo mal e o goleiro Romero defendeu. Messi foi em seguida abrir as cobranças pela Argentina. E também perdeu. Mandou por cima do gol. Daí em diante, todo mundo foi acertando. Até Biglia. Ele bateu mal, Bravo defendeu. Silva, então, marcou o gol para ir para o Abraço. Chile, campeão da Copa América Centenário. Mais uma vez.

Messi lamenta após a derrota da Argentina (AP Photo/Julio Cortez)

Messi lamenta após a derrota da Argentina (AP Photo/Julio Cortez)

Argentina 0x0 Chile

Argentina: Romero; Mercado, Otamendi, Funes Mori e Rojo; Mascherano, Banega (Lamela) e Biglia; Di María (Kranevitter), Messi e Higuaín (Agüero). Técnico: Gerardo Martino

Chile: Bravo; Isla, Medel, Jara e Beausejour; Aránguiz, Francisco Silva e Vidal; Fuenzalida (Edson Puch), Sánchez (Francisco Silva) e Vargas (Castillo). Técnico: Juan Antonio Pizzi

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LANCES DO JOGO: