Já são nove campeões consecutivos. Desde 2005, quando o Saprissa ficou com a taça e participou do primeiro Mundial de Clubes no atual formato, um país que não seja o México não conquista a Concachampions. Uma hegemonia que seria renovada de qualquer maneira em 2014, com Cruz Azul e Toluca chegando à decisão. E a confirmação desse domínio deslavado dos mexicanos não poderia ser maior do que com o título dos Cementeros: um clube que carregou nos últimos anos a fama de azarado, embora tenha se tornado também o maior vencedor da história da competição continental.

O último ano glorioso do Cruz Azul havia sido em 1997. Naquela temporada, o time da capital havia feito barba, cabelo e bigode, se consagrando no Campeonato Mexicano, na Copa do México e também na Concachampions. Desde então, apenas amargura. O único título nos últimos 17 anos havia sido uma mísera Copa MX, desconsiderada pela falta de importância. Em compensação, foram oito vice-campeonatos: cinco no Mexicanão, dois na Concachampions e até mesmo um na Libertadores. A final do Torneo Clausura de 2013, quando tomaram um gol decisivo marcado pelo goleiro do América era a prova cabal. Para muitos, havia uma maldição. Quebrada nesta quarta.

Ainda não dá para dizer que os Cementeros venceram uma decisão. O título contra o Toluca foi conquistado com o regulamento sob os braços – e tem gente que imagina que, se houvesse prorrogação ou pênaltis, tudo estaria acabado. O Cruz Azul segurou o empate por 0 a 0 no Estádio Azteca e arrancou o 1 a 1 no reencontro das duas equipes. Superou o Toluca graças ao gol marcado fora de casa, por Mariano Pavone. Méritos para o time treinado por Luis Fernando Tena, que possui ótimos valores – como Gerardo Torrado, Marco Fabián e, principalmente, o goleiro Jesús Corona.

No fim das contas, o título do Cruz Azul ajuda a recontar outra história da Concachampions, tempos em que o troféu não era levantado apenas pelos mexicanos. São seis conquistas continentais, uma a mais que o América, que havia alcançado seus rivais em 2006. Os C Cementeros foram tricampeões entre 1968 e 1970, na primeira sequência de títulos dos mexicanos, e ficaram com o bi em 1996 e 1997, quando encerraram uma série de três anos gloriosos para a Costa Rica no torneio.

Logicamente, a faixa de campeão no peito confirma a ida do Cruz Azul para o Mundial de Clubes de 2014. Esperando que o fim de sua maldição particular acarrete a quebra de outra: o péssimo desempenho dos clubes da América do Norte e Central no campeonato da Fifa. Desde 2000, apenas três clubes chegaram na terceira colocação – o Necaxa (2000), o Saprissa (2005) e o Monterrey (2012). Em quatro edições, sequer passaram das quartas de final. Muito pouco para uma região que quase sempre é apontada como favorita para desbancar europeus e sul-americanos. O Cruz Azul será mais um a entrar nessas condições. E, para quem nadou contra a maré uma vez, há quem espere um futuro diferente na visita ao Marrocos.