A derrocada do Império Otomano, durante a Primeira Guerra Mundial, causou gigantescas consequências. Na caminhada da Turquia para conquistar seus territórios, sob o domínio do marechal Mustafa Kemal – o antológico Atatürk -, vários povos tiveram suas trajetórias forçosamente alteradas. E vários deles encontraram no futebol um caminho para se reagruparem e continuarem a trajetória. Uma dessas comunidades, os curdos, viu mais um clube alcançar um feito esportivo: o Dalkurd, da Suécia, conseguiu neste sábado, pela primeira vez, o acesso à Allsvenskan, a primeira divisão do país.

Neste sábado, o clube fundado em 26 de setembro de 1994, por imigrantes curdos na cidade de Börlange, garantiu, no mínimo, o vice-campeonato na Superettan (a segunda divisão), ao vencer o GAIS, por 1 a 0, com gol do meio-campista Rawez Lawan, pela 29ª e penúltima rodada do torneio. Com isso, abriram-se seis pontos de vantagem para o Trelleborgs, terceiro colocado. De quebra, ainda se pode alcançar o título: com uma rodada para o fim da temporada da Superettan, o time está um ponto abaixo do líder Brommapojkarna. Na comemoração da vitória, não faltaram bandeiras do Curdistão nas arquibancadas do estádio.

Embora haja jogadores de outras nacionalidades no Dalkurd, como o zagueiro norte-americano Alex DeJohn e o meio-campista japonês Yukiya Sugita, os curdos ainda formam boa parte do time do Dalkurd. De certa forma, é lógico ver o acesso de um clube, na Suécia que tem como um dos grandes jogadores de sua história… um filho de migrantes (óbvio, Zlatan Ibrahimovic, filho de um bósnio muçulmano e uma croata católica).