Em termos de emoção, a Premier League 2011/12 é praticamente insuperável. A primeira conquista da era endinheirada do Manchester City contou com uma disputa insana contra o Manchester United. A apoteose aconteceu no inesquecível gol de Sergio Agüero contra o Queens Park Rangers, “o do milagre”, que definiu a virada por 3 a 2 e a conquista graças à vantagem no saldo de gols, encerrando uma seca de 44 anos sem o título nacional. Mas vale lembrar que, duas rodadas antes, os Citizens anotaram outro tento fundamental à façanha. Vincent Kompany decidiu, em um dérbi no Estádio Etihad que certamente está na memória dos torcedores celestes.

Mesmo antes do desfecho, aquela temporada da Premier League foi uma montanha russa de sensações entre os rivais. O Manchester City liderou de outubro a março – registrando neste caminho a imponderável goleada por 6 a 1 em Old Trafford. O United, todavia, não permitiu que os celestes se desgarrassem. E bastou o mau momento do time de Roberto Mancini para que os mancunianos disparassem. Em meio a uma sequência de oito vitórias, abriram oito pontos de diferença no início de abril. No entanto, uma derrota para o Wigan e um maluco empate por 4 a 4 com o Everton permitiram que o City se reaproximasse. Na antepenúltima rodada, aconteceu o dérbi no Estádio Etihad, quando os Red Devils tinham uma folga de exatos três pontos.

Como era de se esperar, Sir Alex Ferguson tratou de fechar a casinha na visita ao Manchester City, tanto para manter a diferença quanto para superar o trauma do primeiro turno. Carlos Tevez e Sergio Agüero eram um incômodo constante, mas o herói foi outro. Nos acréscimos do primeiro tempo, David Silva cobrou escanteio e Kompany subiu no terceiro andar para superar a marcação, estufando as redes de David de Gea. Já no segundo tempo, apesar das necessidades dos Red Devils, os Citizens continuaram sendo mais perigosos, especialmente com Yaya Touré. Não conseguiram ampliar. Ainda assim, já tinham motivos mais que suficientes para comemorar o triunfo por 1 a 0.

A vitória deixou os dois times com 83 pontos. Entretanto, a diferença no saldo era gritantemente favorável ao Manchester City – até pela goleada no clássico do primeiro turno. Na penúltima rodada, a diferença se manteve, com os Citizens batendo o Newcastle e os Red Devils fazendo o mesmo contra o Swansea. Por fim, o magro 1 a 0 do Manchester United sobre o Sunderland em seu compromisso final até pareceu suficiente por um tempo. As atenções, de qualquer maneira, se centravam mesmo no Estádio Etihad.

Pablo Zabaleta abriu o placar contra o Queens Park Rangers. No segundo tempo, entretanto, Djibril Cissé e Jamie Mackie viraram para os londrinos – sem contar que, entre um tento e outro, Joey Barton foi expulso. Com um a menos, o QPR se segurava heroicamente e ia entregando a taça de bandeja ao Manchester United. Naquele momento, só a vitória interessava ao time de Roberto Mancini. Até que, nos acréscimos, Edin Dzeko e Agüero romperam o impossível. O resto é história. Uma história que pode se complementar um pouco mais neste sábado, com outro clássico decisivo. Kompany, Silva, Agüero e os outros decanos celestes não se esquecem daqueles dias.