Ao longo dos últimos anos, o Dérbi de Munique esteve relegado aos níveis amadores do Campeonato Alemão. Bayern e Munique 1860 não se enfrentam com seus times principais desde 2008, quando se cruzaram pelas quartas de final da Copa da Alemanha. Já o último duelo entre os gigantes locais pela Bundesliga aconteceu em 2004. Desta forma, a torcida precisava se contentar com os embates entre as equipes reservas, figurantes na Regionalliga Bayern, equivalente à quarta divisão alemã. Nesta temporada, porém, o peso do confronto mudou de patamar. Se antes sonhavam em retornar à elite, os torcedores do Munique 1860 agora precisam se acostumar com a dura realidade da Regionalliga, depois do duplo rebaixamento (esportivo e financeiro) que o clube sofreu em junho. Neste sábado, tiveram que reviver a velha rixa com o Bayern II no velho Estádio Grünwalder.

Rebaixado em campo na segundona, o Munique 1860 não pagou a licença para disputar a terceira divisão da Bundesliga, o último nível profissional do Campeonato Alemão. Assim, precisa se reconstruir na semi-profissional Regionalliga Bayern – o que obrigou seu segundo quadro também a ser rebaixado, atualmente competindo na quinta divisão. E, ao menos por enquanto, os ventos são favoráveis aos celestes. Lideram a Regionalliga já com seis pontos de vantagem. Ao que tudo indica, se conquistarem mesmo o título regional, irão à fase nacional, que vale acesso à terceirona. Contudo, os Leões acabaram sofrendo no clássico a sua terceira derrota.

O Estádio Grünwalder estava completamente lotado, com os 12,5 mil lugares nas arquibancadas ocupados, como não acontecia desde 2013. E o Bayern não teve problemas para mostrar quem manda na cidade. O time composto majoritariamente por jogadores sub-19 venceu o 1860 por 1 a 0, gol do meia Fabian Benko – que chegou a ser relacionado por Carlo Ancelotti no elenco principal durante a temporada passada. Mais importante do que o ocorrido em campo, entretanto, foi o furor do lado de fora.

Mandante na tarde, o Munique 1860 lotou as arquibancadas. Seus torcedores pintaram três cantos do estádio de celeste – com cachecóis, bandeiras, faixas e provocações ao Bayern. Os ultras alvirrubros precisaram se conter a um setor menor, mas não menos vivo, entre pirotecnia, papéis picados e balões. E, ao apito final, acabaram rindo por último. Com a vitória consumada, os jogadores do Bayern subiram o alambrado e comandaram a gritaria junto com os seus fanáticos. Nas duas últimas temporadas da Regionalliga, apenas os Leões haviam vencido os duelos entre os times B. Perderam a sequência justamente quando estavam com seu elenco principal.

Aos jovens do Bayern, vale desfrutar o moral. Ganham destaque em um momento no qual talvez possam conquistar mais espaço no time de cima, sob as ordens de Jupp Heynckes. Já o Munique 1860, apesar do baque, precisa pensar mais alto. O desafio é escalar os degraus na pirâmide nacional o quanto antes para recolocar os celestes ao menos na segunda divisão. Para que o sonho de disputar novamente o dérbi, com toda a sua pompa no nível principal, possa ressurgir. Por enquanto, são estas as migalhas que restam.