A preparação do Sporting para a final da Taça de Portugal, neste domingo, não foi exatamente o que os especialistas consideram ideal para atletas profissionais. Na terça-feira, cerca de 50 torcedores encapuzados invadiram os vestiários do clube, para agredir jogadores e comissão técnica. Colocando lenha na fogueira, o presidente Bruno de Carvalho, com quem o elenco já estava brigado, jogou a culpa nos jogadores e na imprensa. Sabe quem não tem nada a ver com isso? O Desportivo das Aves, que venceu a decisão do Jamor por 2 a 1 e conquistou o primeiro título de primeira divisão da sua história. 

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Um pouco de contexto para entender o tamanho do feito. A primeira vez que o Desportivo das Aves, fundado em 1930, disputou a primeira divisão portuguesa foi na temporada 1985/86. Foi rebaixado imediatamente, como nas próximas duas vezes em que chegou à elite. A exceção é a atual temporada, em que conseguiu ficar em 13º lugar, igualando a sua melhor posição histórica. O resto da vida do clube é recheado de campeonatos de segundas divisões para baixo. Chegou à final sem pegar nenhum cachorro grande, com destaque para a vitória, nos pênaltis, contra o Rio Ave, quinto colocado do Portuguesão, depois de um eletrizante empate por 4 a 4, nas quartas de final. 

O Sporting havia vencido os dois jogos da liga portuguesa, por 2 a 0 e 3 a 0, mas era visível o nervosismo dos jogadores do Leão, neste domingo. Logo aos 4 minutos, o experiente Rui Patrício precisou lidar com um chute de longe de longe Rodrigo Soares. Cedeu rebote em defesa que parecia relativamente tranquila. Conseguiu agarrar. Gelson Martins respondeu ao completar cruzamento de Acuña da esquerda e, cara a cara, acertou as pernas do goleiro Quim. Martins teve outra grande oportunidade. Estava livre, dentro da área, mas deu um toque a mais na bola antes de finalizar e mandou para fora. 

O primeiro gol do Aves saiu aos 16 minutos. Contra-ataque pela direita encontrou Alexandre Guedes na segunda trave. O cabeceio, em cruzamento de Braga, abriu o placar para a zebra. No retorno do intervalo, o Sporting só conseguiu levar perigo em cobranças de falta. 

 

Martins, então, todo atrapalhado, perdeu a bola no campo de ataque. O contra-ataque encontrou Guedes que, com toda a facilidade do mundo, deu o corte dentro da área e mandou no canto para fazer 2 a 0.

 

Logo em seguida, o lance mais inacreditável da partida. Quim defendeu o chute desviado de Bruno Fernandes, mas o rebote ficou com Bas Dost. Completamente livre, o atacante holandês, com uma faixa na cabeça para proteger os pontos que levou nas agressões dos torcedores, acertou o travessão.

 

Fredy Montero descontou no fim, mas era tarde demais. O próprio técnico Jorge Jesus admitiu, na entrevista coletiva, que seus jogadores sentiram a parte mental. “Foi uma semana muito complicada. Parecia um filme de terror, e só posso agradecer aos jogadores a capacidade mental que apresentaram. O lance do Bas Dost é um exemplo do nível emocional da equipe”, disse. “Como treinador, não posso comentar este jogo de forma técnico/tática. Parabéns aos vencedores, não tiveram nada a ver com este tema, e acabamos a época com uma competição que queríamos vencer e não vencemos”. 

No retorno ao hotel, Jorge Jesus esperou jogador por jogador na saída do ônibus para cumprimentá-los. Um sinal que está sendo interpretado pela imprensa portuguesa como uma despedida. Estaria Jesus próximo de acertar com o Al Hilal, dos Emirados Árabes, clube que se interessou por Fábio Carille, técnico do Corinthians, esses dias. E além do treinador, também é provável que jogadores importantes saíam do clube, deixando o futuro dos Leões totalmente no escuro.