A Copa de 2018 foi de muita esperança para Portugal ir longe. Chegou como campeão da Eurocopa de 2016, tem o melhor jogador do mundo nos últimos dois anos, Cristiano Ronaldo. A campanha parou nas oitavas de final, diante de um bom Uruguai. Em 2006, a última grande campanha de Portugal, houve um jogo marcante neste mesmo dia, 1º de julho. Foi o jogo contra a Inglaterra, pelas quartas de final, em um duelo duríssimo que teve o goleiro Ricardo como o grande protagonista. E que já tinha um jovem Cristiano Ronaldo no elenco, como titular. Naquele dia, o goleiro Ricardo entrou para a história das Copas como o primeiro a defender três pênaltis em uma disputa dese tipo. Algo que se repetiu com Subasic, neste 1º de julho de 2018, classificando a Croácia às quartas de final da Copa na Rússia.

LEIA TAMBÉM: No jogo em que os goleiros brilharam, Croácia superou dificuldades e se classificou às quartas

O time dirigido por Luiz Felipe Scolari também vinha de uma boa Eurocopa, mas a lembrança era amarga. Tinha ido até a final no torneio que sediou, mas perdeu a final de forma surpreendente e decepcionante para a Grécia, que sequer conseguiu classificação para a Copa do Mundo na Alemanha, naquele ano de 2006. Na Euro, dois anos antes, Portugal eliminou a Inglaterra nesta mesma fase, quartas de final. As histórias acabariam sendo parecidas: empate no tempo normal e prorrogação, vitória portuguesa nos pênaltis. O herói de 2006 já estava em 2004, o goleiro Ricardo.

Aquela Copa de 2006 era de uma grande expectativa para os ingleses. O time era realmente muito bom, ao menos em nomes. Exceto pelo goleiro Paul Robinson, os outros eram jogadores que vinham muito bem. A escalação do time naquele dia era: Paul Robinson; Gary Neville, Rio Ferdinand, John Terry e Asley Cole; David Beckham, Steven Gerrard, Owen Hargreaves, Frank Lampard e Joe Cole; Wayne Rooney. Portugal, comandado por Felipão, tinha: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Tiago, Petit e Maniche; Figo, Cristiano Ronaldo e Pauleta.

O jogo foi em Gelsenkirchen e teve um empate sem gols no tempo normal, embora as duas equipes tenham tentado chegar ao gol. Teve a marcante expulsão de Wayne Rooney, aos 17 minutos do segundo tempo. Ele pisou em Ricardo Carvalho, que o marcava vorazmente. Cristiano Ronaldo, então seu companheiro de clube, foi pressionar o árbitro a expulsar o jogador inglês. Com um a menos, a Inglaterra até continuou tendo chances, assim como Portugal.

O jogo estava com cara de pênaltis e acabou exatamente desta forma. Mais uma vez, os dois países decidiriam uma vaga em semifinal de um grande torneio nos pênaltis. Foi ali que a figura de Ricardo ficou enorme. Na primeira cobrança, Simão Sabrosa marcou 1 a 0 para Portugal. Lampard foi o primeiro a cobrar pela Inglaterra e Ricardo, como um gato, pulou e defendeu. Hugo Viana então se dirigiu à bola e acabou por desperdiçar a sua cobrança. Em seguida, Hagreaves cobrou e marcou para a Inglaterra e empatou a disputa em 1 a 1. Ricardo, por pouco, não defendeu a cobrança.

Petit, meio-campista português, foi o próximo a cobrar. Bateu forte e rasteiro, mas para fora. Foi a vez, então, de Steven Gerrard. O então capitão do Liverpool cobrou no canto e Ricardo, mais uma vez, defendeu. Foi a vez de Hugo Postiga, que cobrou muito bem e marcou mais um para Portugal. Foi, então, a vez de Carragher cobrar. O zagueiro cobrou e Ricardo, mais uma vez, fez a defesa. A sua terceira na noite. Quem fechou a série foi Cristiano Ronaldo, então com 21 anos. Cobrou muito bem e definiu: 3 a 1 para Portugal.

Ricardo saiu consagrado naquela noite como um herói português. Três pênaltis defendidos, uma campanha que, àquela altura, já igualava a melhor de Portugal na história, como em 1966, que o time também chegou à semifinal. Um dia de goleiro para Portugal. E para a Copa do Mundo.