SÃO LOURENÇO DA MATA - A festa dos mexicanos começou no lado de fora da Arena Pernambuco. Mesmo horas antes da seleção deles enfrentar a Croácia, por vaga nas oitavas de final, torcedores com as cores fortes do time, o verde escuro e o vermelho, formavam um mar de pessoas nos arredores do estádio. As fantasias seriam criativas não estivéssemos já acostumados a elas: máscaras de luta livre, o Chapolin Colorado, uma Chiquinha e os chapéus tradicionais, que nos desenhos escondem o rosto dos trabalhadores que esticam as pernas e tiram a siesta depois do almoço.

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Nas arquibancadas, a superioridade latino-americana em relação aos croatas foi constrangedora. Havia um único setor, com cerca de 30 cadeiras, que parecia mais uma mesa de cantina italiana do que uma floresta. Bravos torcedores da Croácia também levaram as suas fantasias e as suas bandeiras, mas não conseguiam impor as suas vozes. O som ambiente em São Lourenço da Mata era os cânticos mexicanos.

E como eles não paravam de gritar, estava chegando a hora. A bola rolou e a torcida participou de cada um dos lances. O primeiro toque na bola de um croata foi vaiado. A primeira tentativa de gol do México, aplaudida. Sempre que um adversário preparava-se para cobrar alguma coisa, fosse um escanteio ou um tiro de meta, precisava lidar com as vaias. “Oooohhhh…p…!”.

O problema é que a seleção, em campo, demorou para absorver essa energia das arquibancadas e transformá-la naquilo que precisava: gols. Se possível, o bastante para superar o Brasil no Grupo A e fugir da Holanda. Foi apenas a partir da metade do segundo tempo que conseguiu. Depois de uma injustiça imperdoável do árbitro. Um chute de Guardado foi aparado pelas mãos do capitão Srna. Dentro da área. A penalidade máxima foi ignorada, mas os jogadores mexicanos, muitas vezes considerados “pechos frios”, pouco combativos, indolentes e pouco afeitos à raça que os sul-americanos tanto apreciam, não puderam mais fingir que não ouviam os gritos dos seus conterrâneos.

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Inflamados pela torcida, ou mais precisamente, tanto quanto a torcida, o México foi para cima da Croácia. A entrada de Javier Hernández melhorou a equipe de Miguel Herrera dentro de campo. Ajudou a prender a bola no ataque, proporcionou mais presença de área. Mas também serviu como combustível para os apaixonados, loucos por Chicharito, que gritaram o nome dele no momento em que as chuteiras do camisa 14 tocaram o gramado. Os gritos de olé foram aparecendo à medida em que o México construiu a vitória por 3 a 1, e a alegria era tamanho que é possível acreditar que os torcedores nem perceberam que Perisic descontou, nos minutos finais.

Depois da partida, classificados e relaxados, os torcedores tomaram uma cerveja e comeram espetinhos em um posto próximo à Arena Pernambuco. Mas ainda não haviam se desconectado da partida. Quando um descuidado derrubou uma garrafa de cerveja, imediatamente iniciaram o grito que parece ser o favorito deles: “Oooooohhh….” e o resto vocês já sabem.