Ele marcou três gols no seu primeiro jogo pelo Benfica. Duas semanas depois, mesmo contra o lendário Santos de Pelé, teve o mesmo desempenho. Atlético, habilidoso e goleador, Eusébio, cujo coração parou de bater neste domingo, em Lisboa, morreu aos 71 anos como o melhor jogador da história de Portugal e do Benfica, clube que defendeu durante 15 anos e pelo qual marcou 733 vezes.

Eusébio, conhecido como o Pantera Negra, foi um dos grandes da Liga dos Campeões da Europa. Foi campeão em 1962 e ainda disputou outras três finais pelos Encarnados, mas acabou derrotado por Milan (1963), Inter de Milão (1965) e Manchester United (1968). No entanto, talvez a sua maior atuação, certamente a sua maior glória, foi na Inglaterra, durante a Copa do Mundo de 1966.

Portugal venceu os três jogos do seu grupo, inclusive o atual bicampeão Brasil, com dois gols do moçambiquenho. Nas quartas de final, a adversária foi a Coreia do Norte, que havia eliminado a Itália na primeira fase. Os asiáticos, praticamente amadores, jogando pela primeira vez em solo europeu, abriram 3 a 0 em 25 minutos.

Foi a hora em que Eusébio chamou a responsabilidade. Dois minutos depois do terceiro gol dos norte-coreanos, descontou em boa jogada dentro da grande área. Pouco antes do intervalo, fez mais um, de pênalti. O empate veio aos 11 minutos do segundo tempo, pouco antes de, novamente de pênalti, o artilheiro daquele Mundial fazer o quarto de Portugal e virar o jogo. Augusto ainda completou a vitória por 5 a 3.

Quase sozinho, Eusébio virou uma partida de quartas de final de Copa do Mundo de 3 a 0 para 4 a 3 e, embora não tenha conseguido superar a dona da casa Inglaterra, levou Portugal ao terceiro lugar, melhor colocação da equipe na história. Foi sem dúvida um dos gigantes.