Em uma época não tão distante, os jogos da ‘Seleção do Mundo’ eram bastante comuns. Um time formado por jogadores de destaque em vários países vestia a camisa da Fifa para as mais diversas ocasiões: arrecadação de dinheiro para causas humanitárias, despedidas de grandes craques, celebrações de datas históricas. A primeira vez que um jogo do tipo aconteceu foi em 1963, para comemorar os 100 anos da criação das regras do futebol. O ‘Fifa XI’, como também era chamado, encarou a Inglaterra e venceu por 2 a 1. Djalma Santos era representante brasileiro, em uma equipe que também contou com Yashin, Puskás, Di Stéfano, Masopust, Kopa, Seeler, Eusébio, Gent, Law, entre outras lendas.

As partidas da Seleção do Mundo se tornaram mais comuns a partir da década de 1990. Já em dezembro de 1997, aconteceu uma ocasião sensacional neste sentido. No dia do sorteio da Copa do Mundo de 1998, a Fifa organizou um amistoso entre um time da Europa e um time do Resto do Mundo. Ao todo, 32 jogadores (um de cada país classificado ao Mundial) se dividiram em duas equipes. Campeão em 1990, Franz Beckenbauer esteve à frente dos europeus, enquanto Carlos Alberto Parreira, comandante do tetra, dirigiu americanos, africanos e asiáticos.  Como havia 15 seleções da Uefa, por questões numéricas, o representante iraniano reforçou o elenco da Europa.

Assim, uma constelação de craques e outros tantos jogadores nem tão bons (alguns, que sequer foram à Copa) se reuniram no gramado do Estádio Vélodrome. Antes do início da partida, rolou cerimônia de abertura e tudo, com a presença do mascote Footix no círculo central. Já quando a bola rolou, não deu nem graça: o time do Resto do Mundo engoliu a Europa por 5 a 2. Por mais que os europeus contassem com Zidane, foi uma covardia ver Ronaldo e Batistuta do outro lado. O brasileiro e o argentino formaram uma dupla de ataque digna de Winning Eleven 4. Voando na época, o Fenômeno fez dois gols e deu três assistências. Batigol fuzilou duas vezes e retribuiu o presente ao carequinha. E o colombiano Anthony de Ávila completou a festa. Pelos europeus, o romeno Marius Lacatus e Zizou descontaram. Jogando em casa, o francês ainda acertou um chute parecido com o célebre da final da Champions de 2002 – porém, isolando a bola às arquibancadas.

Depois disso, a Fifa até realizou outros eventos com a Seleção do Mundo, mas nunca mais no sorteio da Copa. Uma ideia que até parece surreal nos dias atuais, mas rendeu momentos inesquecíveis em 1998. Bem que poderia se repetir no final deste ano, quando o chaveamento do Mundial de 2018 irá acontecer. Abaixo, os elencos das duas equipes (com ponto vermelho, os titulares) e o vídeo com os lances:

1998