O Dortmund passou, mas precisa de uma reviravolta se quiser ter vida longa na Champions

O Borussia Dortmund se agarra à Liga dos Campeões para o restante da temporada. Muito longe do Bayern de Munique na Bundesliga, a competição continental é a esperança de um título relevante para os aurinegros em 2014. E, mesmo sem ser brilhante, a equipe de Jürgen Klopp está nas quartas de final. Aproveitou-se da excelente vitória em São Petersburgo para passar pelo Zenit, mesmo perdendo por 2 a 1 dentro do Signal Iduna Park. Vaga garantida, mas não é hora de se acalmar. Pelo contrário. O Dortmund precisará trabalhar muito se quiser repetir o feito da última temporada e chegar à final.

A exibição desta quarta foi uma boa mostra disso. O time foi maçante ao longo dos 90 minutos. Esteve longe de contar com aquele ataque incisivo, vertical, que se acostumou a destruir os adversários em ataques rápidos. No jogo arrastado contra o Zenit, o Dortmund abusou dos cruzamentos para a área. Tudo bem que chegou a marcar seu gol assim. Mas esteve longe de exigir muito do goleiro Malafeev, que só fez duas defesas ao longo dos 90 minutos. Lewandowski pouco conseguiu abrir espaços na defesa, enquanto Mkhitaryan não contou com a colaboração de seus companheiros para distribuir o jogo.

E antes o problema fosse só a falta de criatividade do ataque. A defesa assusta pela passividade. Sem marcar por pressão a saída de bola dos adversários, o time deixa muitas brechas entre seus meio-campistas e a linha de defensores. O resultado pôde ser visto no segundo gol do Zenit, quando todos assistiram a Rondón balançar as redes. Para piorar, o Signal Iduna Park, que costuma ser uma fortaleza para os aurinegros, parece não intimidar tanto os visitantes. Já são seis derrotas em casa nesta temporada. Contra os russos, a primeira pela competição continental.

A esperança para a reviravolta do Dortmund? Ela se concentra basicamente em dois nomes: Marco Reus e Ilkay Gündogan. Dois talentos individuais que podem fazer o coletivo se transformar. O atacante deve voltar em breve, se recuperando de problemas musculares. Garante uma imprevisibilidade importante ao ataque, especialmente por suas arrancadas e pela ótima finalização. Já o meio-campista, o motor do time, só deve estar completamente curado de um problema na coluna em abril. Com sorte, jogará as semifinais da Champions – isso, é claro, se os alemães forem tão longe. Sem contar Sven Bender, Neven Subotic e Jakub Blaszczykowski, nomes importantes perdidos pelo elenco até o final da temporada.

Assim como foi na última temporada, o Dortmund pinta como um dos azarões entre os oito melhores da Liga dos Campeões. Mas, desta vez, realmente sem tantas condições de surpreender. E sem um chaveamento que ajude, já que o Manchester United deve ser o rival mais palpável no sorteio – e, convenhamos, por mais que a fase seja ruim, difícil de tragar. Jürgen Klopp tem pouco tempo para revolucionar esse time. Se conseguir, merece mesmo uma estátua em frente ao Signal Iduna Park.

Formações iniciais

Dortmund x Zenit

Destaque do jogo

Hulk. Em uma partida tão fraca, o golaço anotado pelo brasileiro serviu para dar alguma cor. Também foi o mais lúcido de sua equipe, embora sem ameaçar tanto Weidenfeller em outros momentos da partida.

Momento chave

O gol de Kehl, no final do primeiro tempo. Não que o Zenit pressionasse muito, mas o tento do volante foi importante para dar uma folga maior ao Dortmund. Naquele momento, o time de Jürgen Klopp abusava do chuveirinho e acabou colhendo a recompensa.

Os gols

16’/1T – GOL DO ZENIT! Hulk arrancou pela direita, passou pela marcação e, com o caminho livre, soltou a bomba da intermediária. A curva feita pelo chute potente não deu chances a Weidenfeller e morreu no ângulo.

38’/1T – GOL DO DORTMUND! Falta no campo de ataque. Os aurinegros cobram curto e Schmelzer domina no flanco esquerdo. O lateral cruza e, livre de marcação, Kehl cabeceia com força. Malafeev até toca na bola, mas não tira do caminho das redes.

28’/2T – GOL DO ZENIT! Os russos trocam passes no campo de ataque e Criscito avança pela ponta esquerda. O lateral cruza a meia altura e Rondón, que passa pelas costas de Hummels sem ser percebido, completa para as redes.

Curiosidade

O Dortmund ficou sem sofrer gols em apenas um de seus últimos 12 jogos pela Liga dos Campeões, a vitória por 3 a 0 sobre o Olympique de Marseille na primeira fase. Prova da dor de cabeça defensiva de Jürgen Klopp.

Ficha técnica

BORUSSIA DORTMUND 1×2 ZENIT

Borussia Dortmund
Roman Weidenfeller, Lukas Piszczek, Sokratis Papastathopoulos, Mats Hummels e Marcel Schmelzer (Erik Durm, 32’/2T); Sebastian Kehl e Nuri Sahin; Pierre-Emerick Aubameyang (Jonas Hofmann, 45’/2T), Henrikh Mkhitaryan (Milos Jojic, 24’/2T) e Kevin Grosskreutz; Robert Lewandowski. Técnico: Jürgen Klopp.

Zenit
Vyacheslav Malafeev, Alexander Anyukov, Tomas Hubocan, Nicolas Lombaerts (Luís Neto, intervalo) e Domenico Criscito; Axel Witsel e Viktor Faizulin (Igor Smolnikov, 39’/2T); Hulk, Danny e Igor Shatov; Alexander Kerzhakov (Salomón Rondón, 28’/2T). Técnico: Sergei Semak.

Local: Signal Iduna Park, em Dortmund (ALE)
Árbitro: Alberto Undiano Malenco (ESP)
Gols: Hulk, 16’/2T; Kehl, 38’/1T; Rondón, 28’/2T;
Cartões amarelos: Lewandowski, Kehl e Jojic (Dortmund), Lombaerts (Zenit)
Cartões vermelhos: Nenhum