Estava claro que a Copa do Mundo no Brasil seria um grande barato para boa parte dos brasileiros, por mais que muitos deles não desfrutassem dos ingressos caros. Afinal, o Mundial não se faz apenas nas arquibancadas. A atmosfera do torneio se espalhou muito além dos estádios, pelas ruas de vários cantos do país. Também para além das fronteiras do país. Porque, se os brasileiros teriam a Copa em casa, os outros sul-americanos a veriam no vizinho. E a manifestação da massa chilena em Cuiabá é a maior prova disso.

CHILE 3X1 AUSTRÁLIA: Os chilenos que sofreram mais do que deveriam

Além dos anfitriões, o Chile foi o primeiro país sul-americano a entrar em campo no Mundial. Dos 43 mil torcedores na Arena Pantanal, 25 mil eram fanáticos da Roja. E, com uma multidão pulsante dessas, era impossível que os brasileiros que ocuparam a maioria dos lugares restantes não se juntassem à multidão pulsante. Os chilenos estavam tão em casa na Arena Pantanal quanto a Seleção, no Itaquerão.

Tão à vontade que os primeiros sinais vieram antes mesmo de a bola rolar. O hino à capela que fez tantos brasileiros se emocionarem na abertura foi repetido pelos chilenos. De arrepiar de maneira muito parecida. E, quando o jogo começou, os gritos tradicionais da torcida Roja tomaram conta do ambiente. O “Chi-Chi-Chi Le-Le-Le, Viva Chile!” estava lá, o principal dos cânticos a embalar a seleção.

O time de Jorge Sampaoli correspondeu com os dois gols rapidamente. O suficiente para o “olé” ser a única palavra possível na boca dos chilenos. O excesso de confiança, entretanto, pareceu atrapalhar o time, nervoso até os minutos finais. Não a torcida, que não deixou de gritar por um minuto sequer. E pôde extravasar a alegria de vez quando o apito final soou.

Os chilenos não deverão estar sós. Colombianos, uruguaios, equatorianos e argentinos certamente demonstrarão a mesma paixão, assim como já tinha sido com os mexicanos, show à parte na vitória sobre Camarões. Afinal, ao contrário do que aconteceu no passado, os Mundiais na América do Sul não deverão ser tão comuns – nos próximos anos, previsão apenas da parceria conjunta entre Argentina e Uruguai em 2030, com apelos muito mais históricos do que infraestruturais. A Copa é dos brasileiros, mas não só deles. O espetáculo agradece.

Abaixo, o vídeo do hino à capela cantando pela torcida chilena, em uma gravação do meio das arquibancadas. Os agradecimentos são ao jornalista Tiago Pavini, pelo material cedido. Confira: