Três temporadas depois do período mais negro da história, o Fenerbahçe alcançou sua redenção. O envolvimento no grave caso de manipulação de resultados de 2010/11 provocou uma profunda renovação nos Canários – mais no time em si do que na diretoria, é verdade. De qualquer forma, dá para dizer que a reconstrução foi concluída neste domingo: com duas rodadas de antecedência e arquibancadas lotadas apenas por mulheres e crianças (por conta de uma punição imposta por mau comportamento de seus torcedores), o Fener se sagrou campeão turco novamente, a 19ª vez em sua história. Um título que serve para elevar o moral, mas que precisa ser visto com ressalvas.

Os méritos do Fenerbahçe são evidentes. Dono do melhor ataque, da segunda melhor defesa, imbatível dentro do Estádio Sükrü Saraçoglu. No entanto, que também contou com certa ajuda da concorrência. O Galatasaray se enroscou nas próprias pernas, ao demitir Fatih Terim e trazer Roberto Mancini, que até agora não sabe direito o que faz em Istambul. Assim como o Besiktas, que segue contratando a esmo e errando demais nas apostas que faz. As virtudes próprias com os tropeços dos rivais só abriram ainda mais o caminho para o Fener conquistar o título de maneira bastante tranquila.

O técnico Ersun Yanal botou ordem na casa depois da turbulenta passagem de Aykut Kocaman. Vindo de um excelente trabalho com o modesto Eskisehirspor, o comandante soube fazer o time funcionar e deixar de lado os problemas extracampo, que tanto atrapalharam nos últimos tempos. Seu principal trunfo foi a linha ofensiva, com o excelente trio composto por Moussa Sow, Emmanuel Emenike e Dirk Kuyt, responsáveis por mais da metade dos gols da equipe. Mais atrás, nem mesmo os seguidos problemas de lesões atrapalharam, com Cristian, Raul Meireles, Caner Erkin, Emre Belözoglu, Bruno Alves e Volkan Demirel formando a coluna vertebral dos campeões.

Fenerbahce

Entretanto, a glória no campeonato nacional não significa necessariamente prosperidade ao Fenerbahçe. Afinal, o clube segue suspenso pela Uefa, impedido de disputar a Liga dos Campeões justamente por causa do caso de manipulação de resultados. Não receberá, portanto, os milhões de euros que são garantidos pela mera presença na fase de grupos da competição. Terá que manter seu vigor financeiro apenas no âmbito doméstico, sem pensar alto e fazer jogadas arriscadas como o Galatasaray, que trouxe Drogba e Sneijder na temporada passada.

E ainda existem as pendências envolvendo o presidente Aziz Yildirim. Na direção do Fener desde 1998, o cartola chegou a ser preso por seu envolvimento no escândalo de combinação de resultados. Em liberdade, esteve presente no estádio e comemorou a conquista com os jogadores dentro do campo. Entretanto, segue submetido às reviravoltas que permeiam o caso, e que acabam impactando sobre o clube. Após seu apelo ter sido rejeitado pela corte turca, sua volta à cadeia é vista como questão de tempo.

Não é tão fácil, mas o melhor caminho para voltar às conquistas já se mostrou ser o foco exclusivo nas questões esportivas. Foi assim que tantos imbróglios ocorridos fora das quatro linhas deixaram de atrapalhar o time e também puderam ser esquecidos pela torcida, enfim com o direito de comemorar novamente. Longe da Champions, os Canários precisam fortalecer ainda mais a base que já tem do que pensar em contratações astronômicas. Já que o sonho de ir bem nas competições continentais não é imediato, é melhor restabelecer a hegemonia nacional que tinham perdido para o Galatasaray. E a maneira como fizeram nesta temporada já se provou bastante frutífera.

Abaixo, a comemoração do time após a confirmação do título: