O nome do Modena talvez ressoe de alguma forma em apaixonados por futebol italiano. O clube esteve 13 temporadas na Serie A, a principal divisão da liga italiana. A história do clube ganhou um capítulo triste neste dia 6 de novembro. Depois de não conseguir pagar jogadores e nem o aluguel do estádio, o Modena não jogou seus últimos quatro jogos e foi expulso da Lega Pro, que dirige a Serie C.

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O clube abriu falência por ao conseguir pagar o que tem de dívida e completou o quarto jogo sem ser disputado, por diversos problemas. No domingo, o clube deu o chamado W. O. na partida contra o Santacangelo. Com isso, completou os quatro jogos que prevê o regulamento e o Modena acabou expulso pela Lega Pro.

Os torcedores culpam Antonio Caliendo, agora ex-dono do clube, que comprou o Modena em 2015. Segundo o jornal La Repubblica, os Canarini acumularam € 5 milhões em dívidas na gestão de Caliendo.

Os donos deixaram todos os jogadores saírem na temporada passada, incluindo Simone Gozzi, melhor jogador do time. O zagueiro deixou o clube para defender o Alessandria em julho de 2016. O elenco foi formado basicamente por jogadores emprestados. Portanto, seria necessária uma remontagem quase completa para a atual temporada. A situação se complicou quando o diretor de futebol, Luigi Pavarese, se demitiu em agosto.

Na parte financeira, o clube não pagou a prefeitura pela locação do estádio Alberto Braglia, com o dono, Caliendo, não pagando € 390 mil, que chegaram a € 625 mil com juros. Segundo a prefeitura, o clube negligenciou os cuidados com o estádio e o governo teve que gastar € 150 mil em obras.

Sem estádio, o Modena teve que mandar seus jogos em Forli. Ou, ao menos, foi o que o clube pensou. Por questões de segurança, o clube também foi proibido de jogar na cidade vizinha. E, assim, ficou sem ter onde mandar suas partidas como mandante contra Mestre, Albinoleffe e Padova. O clube recebeu punição por não ter jogado essas partidas, com a perda de pontos.

Os jogadores do Modena não foram pagos desde o começo da temporada. Com isso, entraram em greve e se recusaram a jogar no fim de semana com o Santacangelo. Em outubro, Caliendo vendeu o clube para Aldo Taddeo, ex-dono do Varese. Mesmo assim, os salários dos jogadores não foram pagos.

O clube, então, decidiu enviar os jogadores das categorias de base para a partida contra o Santarcangelo. Só que os jogadores da base também se recusaram a jogar. Foi a pá de cal para o clube, que, então, completou os quatro jogos sem entrar em campo.

A expulsão da Lega Pro significou o pedido de falência. Todo o patrimônio do clube será vendido para tentar pagar o máximo de credores. Cerca de 50 pessoas perderão seus empregos. O prefeito da cidade, Gian Carlo Muzzarelli, terá oito meses para encontrar novos donos e refundar o clube na Serie D, quarta divisão do país, que é amadora.

Todos os jogadores são liberadores a partir do pedido de falência e deverão se registrar na liga para atuar nas ligas amadoras. Os times das categorias de base continuarão funcionando até o fim da temporada, disputando os torneios das respectivas categorias. Depois, serão desfeitos. Se houver um novo clube, que precisará ter um novo nome, começará de baixo.

Com a expulsão e falência, todos os jogos do Modena na temporada 2017/18 serão cancelados e os pontos não serão contabilizados na tabela. Resta saber se o Modena conseguirá renascer, como já fizeram Fiorentina e Napoli no passado, sendo refundados.

Por enquanto, os 105 anos da história do clube foram fechados neste dia 6 de novembro. Os torcedores certamente esperam que haja mais capítulos, com um novo nome, para que o clube ressurja.

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