O Flamengo se orgulha de seu título da Libertadores. Com toda razão, diga-se. Mas já se passaram 32 anos. E, na última década, os rubro-negros só acumularam vexames na competição continental. Em cinco participações, foram duas eliminações na primeira fase, mais três quedas nos mata-matas. Quase sempre, os fracassos vieram por falta de pulso, acomodação excessiva. Na estreia na Libertadores 2014, ao menos, vontade não faltou aos flamenguistas. No entanto, vários outros problemas precisam ser corrigidos se os cariocas quiserem voltar a conquistar a competição.

Parte da torcida pode até ficar na bronca com a arbitragem de José Buitrago. O colombiano foi confuso demais nas suas decisões e o pênalti que resultou no primeiro gol sofrido pela equipe foi bastante questionável. Ainda assim, não há como negar a superioridade do León na vitória por 2 a 1. O que, por sua vez, não é demérito total do Flamengo. Jogando com um a menos durante 80 minutos, pressionado pela torcida e mais desgastado após a longa viagem, o time de Jayme de Almeida segurou as pontas. Brio que não bastou diante das panes da equipe.

A mais evidente foi a afobação. Seu primeiro exemplo veio justamente na expulsão de Amaral. Alguns discordaram do rigor do árbitro, mas o volante rubro-negro se excedeu. Outro a cair na armadilha foi André Santos, no pênalti infantil cometido sobre Arizala durante o segundo tempo, que acabou defendido por Felipe após a cavadinha banal de Boselli. E foram vários outros lances menos cruciais em que o Fla passou sufoco.

O excesso de espaços deixado pela defesa também pesou contra. Não à toa, Felipe foi o melhor em campo, com uma série de ótimas defesas. A desorganização foi mais sentida no lance do segundo gol, quando a bola repicou dentro da área após escanteio e, mesmo assim, Arizala teve liberdade para encher o pé. É certo que a falta de Amaral, o cão de guarda, desestabilizou o sistema. Mas o combate individual foi inútil diante dos problemas coletivos, que resultaram em liberdade demais para Boselli e os homens de frente do León.

Já no ataque, a falta de sintonia foi sentida. Hernane chamou a responsabilidade em vários momentos, abriu brechas para os companheiros. Mas Mugni, Éverton e mesmo Paulinho, que saiu do banco no segundo tempo, não conseguiram aproveitar as brechas nos contra-ataques. Restou ao time apostar na precisão de Elano nas bolas paradas, que resultou no gol de Cáceres e em uma bola na trave quando o León já vencia por 2 a 1.

Foram três pontos perdidos, mas não é o fim do mundo para o Flamengo. Ao contrário do que se espera geralmente dos clubes mexicanos, o León mostrou interesse pela Libertadores. A fase do time pode não ser das melhores, longe das excelentes atuações nos mata-matas do último Campeonato Mexicano, quando foi campeão. Ainda que seja um candidato a classificação, não é nenhum desafio que os rubro-negros não possam superar no Maracanã e, pelo menos, ficar em pé de igualdade no confronto direto.

O que o Flamengo precisa daqui para frente é encontrar seu ritmo. O espírito de luta demonstrado nesta quarta não foi tão diferente daquele que foi fundamental na conquista da Copa do Brasil de 2013. Esse time possui pecha copeira que também costuma ajudar muito na competição continental. A diferença é que o Fla já não é o mesmo sem Elias e não conta com o mesmo embalo que o empurrou no último ano. E a nova forma de jogar, sem o coração do meio-campo, só será corrigida com trabalho. Mesmo que não cheguem 100% na segunda rodada, os rubro-negros já terão sua ajuda extra. O Maracanã lotado contra o Emelec, seu principal trunfo na Libertadores. Um ambiente pulsante e intimidador para conquistar, esses sim, três pontos imprescindíveis rumo às oitavas.