Historicamente, as grandes transformações da Serie A são regidas entre os fracassos da seleção italiana e a queda de rendimento dos clubes nas competições continentais. Um fenômeno que parece até mesmo cíclico, marcando verdadeiras eras no futebol italiano. E que poderá se repetir em breve, se depender da vontade de algumas autoridades locais. Desde que a Itália foi ultrapassada pela Alemanha em 2011/12 no Ranking da Uefa, a competitividade dos clubes nos torneios fora do país preocupa bastante. Um debate reavivado nesta semana, depois que a Juventus se tornou a única sobrevivente entre Liga dos Campeões e Liga Europa.

Não que signifique a perda de vagas nas competições europeias, mas os italianos devem perder mais uma posição em breve no ranking. Portugal, que tem Benfica e Porto vivos na Liga Europa, a uma diferença ínfima da Itália, em troca de posições que deve acontecer já no início da próxima temporada – quando os pontos descartados dos portugueses da temporada 2009/10 são menores que os descartados pelos italianos. Enquanto isso, a França também se aproxima, dependendo dos desempenhos de PSG e Lyon no cenário continental. A sexta posição do ranking é a última com três vagas na LC e mais três na LE.

O alarmismo começa mesmo na alta cúpula da Federação Italiana de Futebol. Ídolo do Milan no período áureo da Serie A e vice-presidente da entidade, Demetrio Albertini afirmou que é preciso estudar a situação: “Nós precisamos decidir o que queremos ser: um fornecedor para ligas de outros países ou um campeonato de primeiro nível? Olhando para a nossa história, o modelo atual não vai mais funcionar, porque outros já olharam para o futuro. E eu não digo isso apenas da Alemanha, mas também de países menores, como a Suíça e a Bélgica”.

Na década de 1980, ao menos vem um exemplo histórico de mudança que dá esperança aos italianos. Os clubes do país viviam situação tão vexatória quanto a atual nos torneios continentais, mas na época a liga era fechada para estrangeiros. Em processo motivado também pelo Totonero, a reabertura revolucionou a Serie A, criando o campeonato nacional mais forte de todos os tempos. Desta vez, entretanto, a solução não será tão simples quanto buscar talento fora do país. Sobretudo, a não ser que se descubra algo totalmente inovador, ela terá que vir de dentro da própria Itália.

Afinal, o motivo mais aparente da queda da Serie A é justamente a crise econômica, vivida desde a virada dos anos 2000. O declínio financeiro dos clubes italianos é evidente, especialmente de Milan e Internazionale. Porém, não para por aí. Logo após as eliminações, o Corriere dello Sport publicou uma matéria listando as ‘culpas’ do futebol local para um resultado tão ruim nos torneios continentais. E a lista também inclui a administração ruim, os escândalos de manipulação de resultados, a violência das torcidas, o inchaço do campeonato, bem como a perda de jogadores e treinadores para outros países.

Ver equipes fortes como a Juventus eliminada na primeira fase da Liga dos Campeões ou o Napoli superado por um Porto longe de seus melhores tempos dá a impressão de que o problema é pontual. O contexto geral dos últimos anos, no entanto, é sintomático. Qual a melhor maneira de formar jogadores e mantê-los no país? O modelo de estádio da Juve é o ideal para os clubes médios e grandes que quiserem fortalecer suas receitas? Como revitalizar a competitividade de uma liga que tem se nivelado por baixo? Respostas que não vêm à cabeça com um simples estalo. E que são essenciais para revigorar a Serie A, em um momento no qual a economia italiana é apenas um agravante dentro do contexto bem mais complexo.