Pela primeira vez na história da Premier League, um clube que acabou de conquistar o acesso supera os €100 milhões em contratações. O Fulham desembolsou €114,15 milhões e não apenas aproveita a bolada garantida com a promoção, como também indica as pretensões de seu dono, o bilionário americano Shahid Khan. Entretanto, independentemente dos valores suntuosos, dá para dizer que os Cottagers dão um salto de qualidade com este mercado movimentado – sobretudo neste último dia. O objetivo dos londrinos ainda é assegurar a permanência na primeira divisão. Mas pelas peças que ganha o técnico Slavisa Jokanovic, dá para fazer isso com autoridade.

O acerto mais importante do Fulham não foi o mais caro. Os londrinos garantiram a permanência de Aleksandar Mitrovic por €20,2 milhões. O centroavante de 23 anos não correspondeu em sua passagem pelo Newcastle, mas aproveitou bem o empréstimo aos Cottagers na última Championship. Virou artilheiro do time, anotou gols importantes para garantir a vaga nos playoffs de acesso e ajudou a mudar o estilo de jogo da equipe, por sua presença física no ataque. Em alta após a Copa do Mundo, vale o investimento. Entretanto, há outras boas alternativas que pintam.

Jean Michaël Seri acaba sendo o reforço mais midiático. O meio-campista quase acertou sua transferência ao Barcelona em 2017, em negócio que só não saiu porque o Paris Saint-Germain atravessou os blaugranas para atrapalhá-los. Cobiçado por outros grandes da Europa, o jogador de 26 anos precisou superar a frustração claríssima pelo sonho rompido, mas recuperou o seu bom nível com a camisa do Nice nos últimos meses. Agora, surgiu a oportunidade de ir à Premier League e ele agarrou. Não em uma equipe midiática, mas que pode servir de trampolim a saltos maiores. Custou €30 milhões aos londrinos. Já nesta quinta-feira, os Cottagers fecharam com outra novidade da Ligue 1. Aos 22 anos, André Zambo Anguissa dominou a faixa central do Olympique de Marseille e apresentou grande potencial. Poderá ser um excelente parceiro a Seri. Vem também por €30 milhões.

Entre as transferências que custaram alguns milhões, destaque ainda a Alfie Mawson, que deixou o Swansea por €17 milhões. Apesar do rebaixamento com os galeses, o zagueiro mostrou bom nível nas últimas duas temporadas e se encaixa na cota de jogadores locais que o Fulham precisa preencher. Ao gol, uma das novidades é Fabri, que fez boa Liga dos Campeões com o Besiktas. O espanhol de 30 anos desembarca por €6 milhões. Já para defesa, Joe Bryan desembarca em alta após a temporada histórica do Bristol City, enquanto Maxime Le Marchand vem de anos de afirmação com o Nice.

A verdadeira noção sobre o bom mercado do Fulham, de qualquer forma, se torna completa apenas quando se observam os empréstimos feitos pelo clube. Transações sem grandes custos, mas que adicionam qualidade e dão profundidade ao elenco. André Schürrle nunca cumpriu o que prometeu ao surgir no Bayer Leverkusen, mas merece uma chance para reviver na Inglaterra os lampejos que vinha tendo no Borussia Dortmund. Sergio Rico perdeu espaço no Sevilla, embora seja um goleiro de ótimo nível, importante nos sucessos recentes dos andaluzes. Da Espanha, ainda chega Luciano Vietto, deixado de lado por Diego Simeone no Atlético de Madrid, mas com talento para bagunçar as defesas adversárias, como fez em certos momentos da carreira. E da própria Inglaterra, Calum Chambers e Tim Fosu-Mensah são alternativas razoáveis ao sistema defensivo.

Nada menos que 12 novos jogadores aportaram ao Fulham neste verão. Somente Liverpool, Chelsea e Leicester gastaram mais que os londrinos na janela de transferências, entre os clubes da Premier League. Enquanto isso, as perdas não são tão renomadas assim, com menções principais ao goleiro (reserva) David Button e ao lateral Ryan Fredericks. Protagonistas como Ryan Sessegnon e Tom Cairney ficaram. Sinal de ambição em Craven Cottage.

Ao técnico Jokanovic, será um desafio administrar um elenco com tantas peças diferentes, ainda mais considerando que cinco desses reforços chegaram apenas nesta quinta-feira e não terão muito tempo à aclimatação. Mesmo assim, muito melhor ter que trabalhar a integração durante o início da Premier League do que sofrer com um plantel sem opções. Agora, sobram alternativas ao Fulham. Investimentos não faltaram para tentar restabelecer os londrinos, um contraste às críticas recebidas por Shahid Khan em sua chegada à administração, lidando com o rebaixamento logo de cara. É ver se os resultados conseguem sustentar o clube novamente por uma longa e tranquila estadia na elite ou se pressão pelos gastos não dificultará este reinício.