Esta semana marca o aniversário de 25 anos da dissolução da União Soviética. Em 26 de dezembro de 1991, as repúblicas que constituíam o país se tornaram oficialmente independentes. Ao longo dos próximos dias, publicaremos aqui na Trivela uma série de três artigos, traçando relações sobre o futebol na URSS ao longo das décadas. Abaixo, a primeira parte, concentrando-se no apoderamento da estrutura da modalidade pelo estado soviético até meados da década de 1940.

Após a Revolução de 1917, a União Soviética experimentou duas faces distintas do futebol. A modalidade foi amplamente usada pela máquina estatal durante a constituição do novo país, visando afirmar elementos nacionais e suas instituições. Da mesma forma, também deu liberdade a parte do povo insatisfeito com os rumos políticos tomados pelo partido comunista. Não a ponto de revoltas serem organizadas, mas permitindo críticas que não seriam possíveis fora do estádio. Esporte mais popular do país desde a década de 1910, o futebol também um elemento importante para entender a constituição da república socialista soviética durante os seus primeiros anos.

A introdução do futebol na Rússia e os efeitos sobre a URSS

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Assim como em boa parte dos países que iniciaram suas práticas no Século XIX, o futebol foi introduzido na Rússia pelos britânicos. O intercâmbio se deu a partir dos portos e, não à toa, Petrogrado (atual São Petersburgo) foi o primeiro pólo do esporte no país, pouco antes de Moscou. Curiosamente, o desenvolvimento da modalidade entre os russos deu-se de maneira parecida com o ocorrido na Grã-Bretanha: boa parte dos times era formada por trabalhadores urbanos, enquanto outros times tinham suas raízes estrangeiras.

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O ano de 1892 é colocado como marco do futebol na Rússia e, em 1894, foi fundada a primeira equipe. Entretanto, é consenso entre os historiadores que a popularização só passou a ganhar força na década de 1910, quando o esporte passou a ser mais bem organizado e a associação nacional filiou-se à Fifa. Em seu livro Sport in the USSR: Physical Culture, Visual Culture, Mike O’Mahony fala sobre a amplitude desse crescimento.

“Nessa época, a popularidade do futebol certamente excedeu a de qualquer outro esporte em termos de participantes e também de espectadores, era o mais disseminado de todos os esportes. O diplomata britânico Robert Bruce Lockhart, que jogou pelo time do Moscou Morozovsy, reporta que ‘em uma partida da liga, a média de público está entre 12 mil pessoas e as mulheres contribuem com 30% do total’”, escreve O’Mahony.

Em 1914, oito mil praticantes de futebol eram registrados em todo o Império Russo. Representava uma parcela pequena da população, em um país de áreas urbanas reduzidas, por conta da industrialização tardia. Mais importante, no entanto, é o perfil dos praticantes que, de certa maneira, se alinhava com o de uma parcela importante daqueles que realizariam a revolução, anos depois. Jovens, trabalhadores urbanos e crescidos em Moscou, cidade que vivia o boom do esporte.

“A maior parte dos jogadores de futebol da classe baixa em Moscou era nascida na cidade ou chegaram lá na infância, esse fato por si não os torna revolucionários. No entanto, é importante lembrar que esse proletariado que tomou parte nos esportes, especialmente no futebol, havia cortado seus laços com o regime. Se eles não eram todos militantes radicais, eram pelo menos do mesmo ambiente que produziu esses militantes”, analisa o historiador Robert Edelman, em seu livro ‘A Small Way of Saying No’.

Assim, acabou-se constituindo um nicho perfeito para a expansão do futebol depois da estabilização da revolução. Algo percebido pelo estado, que passou a desenvolver mecanismos para aproveitar a mobilização gerada pela mobilidade.

Ferramenta do estado, válvula de escape da população

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Em 1917, a revolução estourou na Rússia. O processo de tomada do poder foi gradual, com fases distintas, até que a União Soviética tomasse forma e absorvesse as diferentes repúblicas em 1922. Neste contexto, o esporte já era utilizado pelo comunismo como método de direcionar a população à educação física e, em certa medida, à preparação militar. Em 1920, os bolcheviques promoveram o Festival da Cultura Física, dentro do Congresso da Terceira Internacional. O futebol, por sua vez, foi aproveitado para interação e entretenimento, com um jogo festivo ao final do evento, entre os delegados russos e os estrangeiros – com direito a John Reed, autor do clássico ‘Dez dias que abalaram o mundo’, defendendo o gol do time internacional.

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Segundo Gilberto Agostino, autor de Vencer ou Morrer: Futebol, Geopolítica e Identidade Nacional, o governo soviético incorporou o futebol em suas políticas: “Durante os grandes desafios lançados por Lenin – a consolidação da União Soviética e a NEP –, o futebol assumiu posições contrastantes no país. Se por um lado foi encarado como um desvio burguês, permissivo devido às perigosas tendências em torno do individualismo e profissionalismo, por outro, foi um artifício importante no sentido de fortalecer as relações de ‘boa vizinhança’ entre o governo bolchevique e os países mais próximos, principalmente através de equipes formadas por sovietes”.

A mesma linha de pensamento é compartilhada pelo historiador James Riordan, entrando nos méritos econômicos do projeto liderado por Lenin. Interessantemente, o culto aos heróis é relacionado como um dos motivos que serviram de trampolim às práticas esportivas na recém-formada União Soviética: “As implicações dos processos econômicos e políticos (rápida industrialização, coletivização da agricultura e ditadura política) do final dos anos 1920 e do início do anos 1930 foram extremamente importantes para o movimento esportivo, para isso é que os modelos de organização esportiva soviética foi formada – com entidades nacionais, escolas de esportes, programa nacional de educação física e rankings uniformizados para modalidades individuais. A nova sociedade viu o florescimento de todas as maneiras de esportes competitivos com apelo junto ao público, campeonatos e culto aos heróis. Todos eram designados a providenciar recreação e diversão à população urbana que crescia rapidamente”.

Entre as medidas relacionadas ao futebol esteve a utilização da seleção soviética para relações internacionais. A equipe, formada em 1911, sequer figurou nas competições internacionais, com raros amistosos disputados até a década de 1952. Ela tinha basicamente o intuito de estreitar os laços diplomáticos com a Turquia, aliada política e vivendo transformações profundas. De 1924 a 1935, foram 15 partidas contra os turcos. Como se não bastasse a quantidade, ainda há relatos de que alguns jogos foram armados a favor dos turcos para ressaltar o orgulho nacional no país recém-formado. O projeto estatal mais marcante, porém, foi relacionado aos clubes do país.

O futebol de clubes a serviço da nova potência

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Ainda que primitiva, a estrutura do futebol de clubes já estava constituída nos territórios soviéticos quando a revolução começou a acontecer. Com a formação do novo estado em 1922, o poder central só precisou se apoderar desse mecanismo para utilizá-lo da maneira como bem entendesse, atendendo a seus interesses. De início, nomes e símbolos das equipes foram alterados a fim de colocar em evidência as organizações do país. O primeiro desses times foi o Orekhovo, criado por dois ingleses operários do setor têxtil. Por obra do chefe da polícia secreta soviética, em 1923 o clube passou a se chamar Dinamo Moscou e a ser financiado pelo Ministério do Interior. Na esteira, vários outros “Dinamo” surgiram em cidades importantes do país, como Kiev, Minsk e Tbilisi.

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O projeto de estatização das equipes foi contínuo durante a década de 1920. O CSKA era fomentado pelo exército, enquanto o Lokomotiv tinha o apoio dos ferroviários. Spartak, Torpedo, Zenit e Krylya Sovetov representavam as indústrias de alimentação, automóveis, eletricidade e aviões. O próprio fim da classe dominante facilitou essa apropriação dos clubes sem maiores resistências. Dentro dessa visão é que o desenvolvimento levou à criação do Campeonato Soviético, em 1936. Até então, havia um torneio nacional esparso, em um modelo parecido com o que ocorria no Brasil, disputado por representantes regionais. A Liga Suprema veio para alimentar a estrutura formada, com um torneio competitivo e que mobilizasse os principais times. Durante os primeiros anos, se concentrou principalmente em Moscou, mas logo se expandiria para as demais repúblicas, em processo importante também às identidades locais – algo que será tema de outro texto aqui na Trivela durante os próximos dias.

De maneira geral, o envolvimento do estado e o estímulo à prática esportiva acabaram contribuindo ainda mais para a popularidade do futebol, assim como o crescimento urbano. Acima destas questões, entretanto, estava a maneira como a modalidade servia para alimentar anseios e descarregar preocupações de uma população que atravessou um longo período de conflitos e incertezas políticas, até a afirmação da União Soviética. O futebol não é apenas um brinquedo de oligarcas ricos, mas desempenha também um papel de considerável importância social. Numa sociedade em profunda mudança, ele adquiriu, para as pessoas comuns, um significado grande em termos de símbolo da nação.

Então, uma nova questão se coloca: se era controlado pela máquina estatal e conseguia centrar parte da população na exaltação do nacionalismo, como o futebol poderia se transformar em um caminho à contestação? Para o historiador Robert Edelman, o semicapitalismo da NEP e o apelo popular do futebol criaram um projeto de profissionalismo para os clubes. Percebendo a influência, os jogadores passaram a pleitear melhores condições de trabalho e maiores salários. O primeiro passo para o distanciamento do rigor do modelo olímpico, que ainda gerou outras particularidades.

“Durante o curso do Século XX, o futebol no Império Russo e na União Soviética por um universo masculino, por vezes violento, altamente corrupto, espontâneo e imprevisível. Era um lugar para bebidas e humor, o que o professor britânico Eric Dunning chamou de ‘um enclave de autonomia em um mundo de monitoramento’. O futebol se encaixou mal no modelo olímpico heroico e moralista. Ainda que o jogo fosse de longe o mais popular na União Soviética, o fato é que nem sempre ele agradou os guardiões da ordem e da disciplina”, analisa.

Dessa maneira, o tratamento diferenciado ao futebol criou até mesmo um afastamento na forma em que o governo soviético, já sob as ordens de Stalin, conduzia a política esportiva. A rebeldia, reprimida nas ruas, tornou-se comum nas arquibancadas. Ao mesmo tempo, a modalidade transgredia as imposições do governo através de seus torcedores e legalizava embates políticos, impossíveis de serem mantidos além das arquibancadas no duro regime de Stalin.

O clube como uma forma de posicionamento

ФУТБОЛ. МОСКВА. 1929 ГОД. МЕЖДУНАРОДНАЯ ТОВАРИЩЕСКАЯ ВСТРЕЧА КОМАНД МОСКВЫ И ДАНИИ. С МЯЧОМ НИКОЛАЙ ПЕТРОВИЧ СТАРОСТИН. ФОТО ИЗ РОССИЙСКОГО ГОСУДАРСТВЕННОГО АРХИВА КИНОФОТОДОКУМЕНТОВ.

Se na sociedade contemporânea o futebol pode ser visto como uma maneira de abstrair do cotidiano, a mesma conotação era feita nos primeiros anos de União Soviética – com a ressalva de que os soviéticos estavam sob um regime ditatorial com Stalin. Dentre as escolhas de vida que o povo tinha, uma das raras realmente livres era a opção por um clube favorito. Um posicionamento que ia muito além dos gramados, demonstrando geralmente as convicções políticas.

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“Enquanto os estudantes da classe trabalhadora têm dado considerável atenção ao lazer nos últimos anos, o domínio recreativo foi intocado para estudantes da experiência soviética. Contudo, o esporte foi um dos poucos lugares relativamente livres na vida soviética e as escolhas expressaram os sentimentos quanto ao estado. Pouco depois do fim da URSS, o antropólogo armênio Levon Abramian disse a um jornalista britânico: ‘Em um país comunista, o clube de futebol que você torce era uma comunidade a qual você mesmo decidiu pertencer. O regime não escolheu que você apoiasse um clube. Poderia ser sua única chance de escolher uma comunidade e, também, nessa comunidade você tinha a oportunidade de expressar o que desejava. Para um torcedor, era se reunir com outras pessoas e ser livre’”, coloca o historiador Robert Edelman.

Uma ressalva pertinente é sobre a delimitação geográfica desta liberdade. A variedade nas opções era uma característica de Moscou, com seus vários times. Em outras regiões, apoiar uma equipe de um órgão do governo, por exemplo, não significava necessariamente apoiar essas práticas. O principal caso é o do Dynamo Kiev, cujo caráter regional entre os ucranianos era mais forte que a relação com o poder central soviético.

Essa visão é complementada pelo próprio Edelman, ressaltando a personalidade de dirigentes como fator decisivo para o apelo popular de um clube: “Onde as comunidades eram compostas amplamente pela classe trabalhadora, o esporte, entretenimento favorito entre os homens, podia fazer grandes revelações sobre o modo de vida. Esses homens, sujeitos ao controle do estado, conseguiam se revelar mais no jogo do que no trabalho, mas a descrição da audiência é apenas uma parte desse quebra-cabeça. É igualmente importante examinar quem eram os donos dos times ou seus organizadores”.

“O time do povo” nos anos repressores de Stalin

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Dentro deste processo, um clube se sobressaiu mais que os outros junto à população: o Spartak Moscou. No contexto da NEP, o time foi fundado por uma fábrica de alimentos, antes de se relacionar com uma cooperativa industrial. Além disso, suas origens remetem ao o distrito de Presnya, considerado um dos trampolins do futebol no Império Russo durante a década de 1910.

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A torcida era relutante a ser passiva ao regime de Stalin, sem temores aparentes pela repressão. Uma postura que acabou atraindo outros torcedores descontentes com a forma como a política era conduzida e criando rivalidades fortes com os clubes geridos pelos organismos estatais. Em A Small Way of Saying No, Edelman divaga sobre a temática, sobretudo quanto ao conflito com as autoridades públicas.

“As atitudes antiautoritárias dos torcedores do Spartak e sua acompanhante relutância levantaram importantes questões sobre a aceitação pública do regime. Quais eram as consequências políticas dessas escolhas e comportamentos? A aversão à polícia e ao exército representava a rejeição à autoridade do Stalinismo ou os ‘rapazes’ estavam apenas descarregando suas energias? […] Além disso, é interessante notar que o estádio era um dos poucos lugares na União Soviética aonde as pessoas podiam gritar ‘mate os policiais’ e não sofrer sérias consequências”, pontua.

O caráter opositor ficaria explícito a partir de 1935, às vésperas da criação do Campeonato Soviético. A partir daquele ano, o clube passou a ser administrado por Nikolai Starostin, jogador de enorme sucesso no país e já conhecido por seu envolvimento na organização do futebol, ao lado de seus irmãos. O novo mandatário, que ainda calçou chuteiras e também foi técnico, ajudou a rebatizar a equipe naquele momento. De Promkooperatsiya, em referência à cooperativa industrial, passou a se chamar Spartak, uma homenagem a Spartacus, o escravo que organizou a maior rebelião enfrentada pelo Império Romano. Em biografia publicada em 1989, o dirigente e também craque do time na mesma época falou sobre o papel dos moscovitas dentro da realidade social da União Soviética na época.

“Creio que no período anterior à guerra, o papel social e a importância do futebol nasceram da relação especial que o público tinha com esse desporto. As pessoas pareciam separá-lo de tudo o resto que acontecia à sua volta. Era como que uma veneração absolutamente irrazoável por parte de pecadores que procuravam desesperadamente a absolvição num apelo cego à divindade. Para a maioria das pessoas, o futebol representava a única, e por vezes a última, hipótese de esperança de preservarem nas suas almas uma minúscula ilha de sentimentos sinceros e de relações humanas”, rememora.

As atitudes de Starostin e da torcida do Spartak renderam represálias, até mesmo pelo sucesso do clube, campeão de três das primeiras edições do Campeonato Soviético, até 1939. As principais rivalidades alimentadas no período foram contra o Dinamo Moscou e o Dinamo Tbilisi, times protegidos por Lavrentii Beria, chefe da polícia secreta soviética e que também atuou como jogador durante os anos 1920. No fim das contas, o dirigente sofreu as consequências do Grande Expurgo, realizado contra os opositores do regime. Em 1942, Starostin foi detido ao lado de seus irmãos e de alguns jogadores, acusados de terem um plano para matar Stalin. Após meses de interrogatórios, a acusação foi retirada, mas Starostin e seus irmãos acabaram condenados a 10 anos de trabalhos forçados em um Gulag, declarados culpados por “propagandearem o esporte burguês”.

Para sua sorte, a história no futebol protegeu Starostin. Ele tinha privilégios no campo de concentração, tratado com respeito pelos comandantes e pelos guardas. Não à toa, acabou se tornando técnico de diferentes equipes, ao mesmo tempo em que permanecia cumprindo a sua pena. Pouco depois da morte de Stalin, em 1953, a condenação de Starostin e de seus irmãos foi considerada ilegal, com todos recebendo a liberdade e a anistia política. Já em 1955, ele retornaria à presidência do Spartak, ocupando o cargo até 1992. Ao longo do período, o clube conquistou sete títulos do Campeonato Soviético, se tornando um dos maiores campeões nacionais.

Um ambiente especial, mas não generalizado

Vale ressaltar, contudo, que independente do papel do futebol no posicionamento dos torcedores quanto ao regime, principalmente de Stalin, boa parte da massa de torcedores se mantinha alheia a essas discussões. Apesar da contestação implícita, a ditadura se mantinha em cima da população para reprimir quaisquer desvios, especialmente a partir da década de 1930.

“Não significa que os jogos de futebol na União Soviética eram verdadeiramente carnavalescos. Mesmo durante uma partida, as manifestações eram exceções e os assentos privilegiados acabaram minando a possibilidade de uma inversão cultural. Se não tinha lugares de propagação Bakhtiniana, o estádio soviético também não era o Circus Maximus. O futebol não era uma válvula de segurança conscientemente criada pelo estado. Se tivesse sido, as autoridades não teriam gasto tanto tempo reclamando, pública e privadamente, sobre o comportamento dos torcedores, nem teriam sido tão didáticos sobre os objetivos do esporte. A tensão evidente entre grupos subordinados e dominantes é substancial”.

Mesmo que distante dos extremos, a colocação dos torcedores nos estádios foi significativa. Apoiar um clube sugestivo como o Spartak, apesar dos percalços enfrentados, era uma resistência válida dentro de um regime extremamente opressor. A liberdade de manifestação nas arquibancadas não diminui as atrocidades cometidas pelo estado, mas demonstrou que a insubordinação poderia surgir até mesmo no principal sistema de autopropaganda planejado pelos soviéticos: o esporte.