Não é fácil brigar por espaço em um elenco que ainda conta com Arjen Robben e Franck Ribéry. Durante os últimos anos de ouro do Bayern de Munique, a dupla protagonizou partidas memoráveis. O francês foi o grande destaque individual na tríplice coroa. O holandês, por sua vez, decidiu uma Champions e seguiu brilhante por tanto tempo. Substituí-los, além de ta questão técnica, possui um entrave quanto à liderança. As personalidades de ambos os veteranos não são muito fáceis de se dobrar. Jupp Heynckes, no entanto, sabe muito bem como lidar com seus astros. E principalmente, como valorizar seu time. Assim, mesmo que os velhos ídolos continuem dando um caldo, Kingsley Coman pleiteia seu espaço na Allianz Arena. E nesta terça, o jovem teve uma atuação para referendar a confiança do treinador, abrindo caminho na goleada por 5 a 0 sobre o Besiktas.

O impacto de Coman no Bayern não vem de hoje. Sua primeira temporada no clube, em 2015/16, foi muito boa. Era uma das válvulas de escape no time de Pep Guardiola e contribuiu bastante na criação. No último ano, porém, o francês não desfrutou do mesmo espaço com Carlo Ancelotti. Os problemas físicos minaram sua sequência, sobretudo na primeira metade das competições. Assim, este ano vem sendo de recuperação ao rapaz de 21 anos. Embora não seja titular absoluto, vai sendo de grande serventia aos bávaros.

Revezando-se nas duas pontas, Coman deu seu cartão de visitas a Heynckes logo na reestreia do treinador, brilhando na goleada contra o Freiburg. Contribuiu em outras vitórias na Bundesliga, especialmente contra Hannover 96 e Hoffenheim. Mas seu principal palco é mesmo a Liga dos Campeões. Na “revanche” contra o Paris Saint-Germain em Munique, o ponta foi um dos melhores em campo. Caindo pelo lado direito no início da partida, ajudou Robert Lewandowski a abrir o placar. Já na etapa final, passou a atuar pela esquerda e infernizou a vida de Daniel Alves. Engoliu o lateral brasileiro, servindo a assistência para Corentin Tolisso fechar a conta. Já nesta abertura das oitavas de final, mais uma exibição essencial do jovem.

Coman iniciou a partida pelo lado esquerdo. Resguardado por David Alaba, tinha liberdade para aproveitar a amplitude do campo, enquanto Arturo Vidal centralizava mais. Do outro lado, as combinações aconteciam com Thomas Müller partindo em diagonal, apoiado por James Rodríguez na transição e Joshua Kimmich aberto. E em um primeiro tempo fechado ao Bayern, no qual os anfitriões pressionavam e não conseguiam furar a barreira do Besiktas, a agressividade do ponta acabou valendo demais. Nos primeiros minutos, já tinha exigido boa defesa do goleiro Fabri. E a jogada do gol que inaugurou o placar, aos 43, tem méritos totais do francês. Ele chamou Adriano para bailar e, fintando o lateral, criou um clarão na defesa. Alaba, aparecendo na área também pelas características de seu companheiro, ajeitou e Müller marcou.

No segundo tempo, seria a vez de Coman aumentar a diferença aos oito minutos. Estava na área para concluir cruzamento de Lewandowski e acertou um bonito chute de primeira, no canto de Fabri. Pode não ter sido tão preponderante ao placar quanto Müller ou Lewa, que participaram diretamente de três tentos cada. No entanto, se a goleada se tornou tão fácil no segundo tempo, a voracidade do francês contribuiu bastante. Criou três oportunidades aos companheiros, ao todo, e foi quem mais driblou na noite. Resolveu.

Dentro do sistema de rotação implantado por Heynckes, é possível que Coman não tenha uma sequência tão grande entre os titulares. Ainda assim, não se nega o seu valor nas partidas mais importantes. Ele ganhou a preferência do treinador nos compromissos mais duros pela Champions e fez por merecer a aposta. São dois gols e duas assistências em seis partidas, assim como participações que revigoram o posto do Bayern entre os favoritos à taça continental.